“a Representação Ficcional De Eventos-limites: A Exemplaridade Das Guerras Coloniais Portuguesas"

Raquel Ferro Da Cunha, Rafael Nunes Ferreira, Miriam Denise Kelm

Resumo


Introdução: A pesquisa propõe o estudo da narrativa literária contemporânea portuguesa de eventos-limites, como as guerras coloniais(1961-1974):o teor testemunhal, do evento histórico e a experimentação vivida, ultrapassa, no âmbito pessoal como ele é firmado na linguagem artisticamente elaborada e os possíveis elos e/ou dissonância entre texto documental e o ficcional. A pesquisa elege um corpus entre os romances significativos na literatura portuguesa pós-1974, cujos autores têm sua trajetória existencial a proximidade real com o fato histórico (guerras coloniais entre Portugal e as ex-colônias – Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, 1961-1974), e alcançaram êxito na transfiguração empírica para o literário, a saber: José Martins Garcia(Lugar de massacre), João de Melo(Autópsia de um mar em ruínas), António Lobo Antunes (Os cus de Judas) e Lídia Jorge(A costa dos murmúrios). Ao corpus, aliam-se depoimentos e entrevistas dos autores, periódicos, jornais, publicações acadêmicas e editoriais. Material e Métodos: A investigação será feita, por estudo bibliográfico em textos teóricos voltados às áreas autobiográfica, testemunhal, memorialística, pós-colonialista historiográfica. Análise dos elementos constitutivos(narrador-personagem e “marcas textuais” de incidência biográfica) e revisão do material pára-literário gerado pelos próprios autores, como entrevistas, depoimentos, participações em eventos e congressos, já que todos participam das instâncias sociopolíticas e atuam no meio cultural português. Feito isso retornar-se-á à critica sobre literatura que tematiza a guerra colonial, e por fim, as etapas serão documentadas em registros digitalizados, e colocados à disposição de outros pesquisadores, devendo dar início a um banco de dados relativos às literaturas de expressão portuguesa. Resultados e Discussão: Os resultados parciais situam-se no conhecimento, leitura e resenha dos textos teórico-críticos e apontamento das principais linhas de pensamento para análise de textos literários. Foram retirados do corpus as incidências biográficas autorais e estratégias narrativas adotadas para transfiguração literária de tais elementos, em que apuramos o elo entre teoria e narração ficcional. Foi possível avaliar a funcionalidade da escrita literária relativamente às guerras coloniais portuguesas, tanto no plano individual como no coletivo, em meio ao processo de revisão da identidade histórico-cultural da nação portuguesa. Na literatura do último século cada vez é mais aceitável a presença de um componente testemunhal nas obras escritas por sujeitos autorais que participaram, de eventos bélicos marcantes, tanto em termos coletivos como individuais. A investigação concentra-se sobre a(s) personagem (ns) responsáveis pela enunciação (narrador/narradora), e sobre as “marcas” textuais e semânticas que indiciam a presença de elementos biográficos articulados com recursos estéticos. Conclusões: Podemos concluir até o momento que os romances incidem na temática histórica acerca das guerras coloniais portuguesas, compreendendo os fatores sociais e político de tal período. Nos romances estão entrelaçados a história, experiência e memória de gerações, possibilitando a abertura para (re)construção da identidade dos países envolvidos no evento. Ainda como produto final, tem-se amálgama entre personagem narrador e “persona” autoral, depreendido na linguagem literária e por ela mediatizado, conduzindo à interação entre História e Literatura. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Guerras Coloniais, Romance ficcional, Eventos-limites, Fato histórico, Fato Literário

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