A Coluna Social De Zely EspÍndola No Jornal Folha De São Borja Nos Anos 70

Luciano Gonçalves Da Costa, Cárlida Emerim Jacinto Pereira

Resumo


Introdução: A presente pesquisa prepõe-se a mapear a produção das colunas sociais assinadas pela colunista Zely Espíndola no jornal Folha de São Borja no período compreendido entre 1970 e 1979 com vistas a investigar, a partir dos preceitos semióticos, o modo de feitura deste texto com o objetivo de recuperar as marcas discursivas deste fazer específico. A pesquisa é parte integrante de um projeto de pesquisa maior ligada ao Grupo de Pesquisa História da Mídia, da Universidade Federal do Pampa, que se propões a investigar a história da coluna social produzida no jornal Folha de São Borja no período da ditadura militar. Material e Métodos: O material-referência analisado compreendeu cerca de 500 jornais publicados entre 1970 e 1979 na cidade de São Borja. A estratégia de ação compreende a pesquisa em museus, acervos particulares, digitalização de publicações antigas e análise empírica das produções mapeadas. O percurso metodológico de análise prevê as seguintes etapas: revisão bibliográfica com vistas a conhecer as publicações com o tema coluna social; 2) a organização e o mapeamento das publicações do jornal Folha de São Borja nos anos 70 disponíveis para análise; 3) sistematização do material histórico consultado; 4) estruturação dos conceitos norteadores da pesquisa buscando compreender suas especificidades; 5) exame e categorização da colunista e de seu processo produtivo nas colunas sociais do Jornal Folha de São Borja nos anos 70, por ela assinadas. Resultados e Discussão: A coluna social do Jornal Folha de São Borja apresenta-se com títulos diversos e é assinada por diferentes pessoas. A colunista que mais se destaca é Zely Espíndola que está desde o início da publicação e manteve-se como a colunista referência, visto que as festas recobertas por ela eram as que envolviam as pessoas de maior destaque. As temáticas com maior repercussão em suas colunas eram as que tratavam sobre os bailes dos clubes mais tradicionais da cidade e eventos de ocorrência constante que mobilizavam toda a sociedade. Os sobrenomes escolhidos para fazerem parte da “rotina de visibilidade” nas colunas de Zely Espíndola tinham as seguintes características: 1) muitos deles eram amigos pessoais dos colunistas e, portanto, alçados ao lugar de “tradicionais” pela repercussão máxima de seus pequenos atos sociais; 2) alguns sobrenomes são parte da elite financeira, inserindo-se no meio social pelo poder de compra que exercem; 3) muitos eram de relações institucionais do jornal como Militares e Funcionários Públicos, entre outras funções que obtinham, pelo período em que as exerciam na cidade, status de importância social; 4) a classe ampla, a dos pertencentes das origens da cidade, as famílias geradoras de renda e de domínio do poder simbólico social e os dependentes destas famílias. Conclusões: A pesquisa nas colunas sociais assinadas por Zely Espíndola demonstra que o discurso dominante era o Discurso da Sociedade Dominante, que segundo EMERIM (1999) é aquele que se forma na elite dominante, cultural e economicamente. Este foi o retrato da coluna social de Zely Espíndola apresentada nos anos 70 nas páginas da Folha de São Borja. O que não aparece, com certeza, nas colunas sociais no período estudado é a classe mais baixa nem mesmo nos espaços pagos ou dedicados a apresentação das sobras dos eventos sociais da elite, em suas diferentes instâncias. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Colunismo Social, Discurso, Jornalismo

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