Padrões De Competitividade Da Ovinocultura De Lã

Miguel ângelo Marques Linardakis

Resumo


Introdução: O panorama econômico atual, caracterizado por acirrada concorrência internacional, exige das indústrias rápida e eficiente adequação aos padrões competitivos estabelecidos. Essa necessidade não é diferente nos setores agronegociais. Analisando a ovinocultura de lã no Brasil, observa-se uma carência de estudos sobre os padrões competitivos vigentes no mercado, que possam subsidiar a elaboração de estratégias competitivas consistentes. O objetivo deste estudo é identificar os padrões de competitividade da produção de lã em âmbito mundial. O mesmo se justifica pela escassez de abordagens deste tipo nos estudos que envolvem a ovinocultura de lã. A definição clara dos padrões competitivos setoriais tende a permitir o vislumbre de gargalos e potencialidades para a ovinocultura de lã, viabilizando estudos aplicados em empresas atuantes. Material e Métodos: O método planejado para a pesquisa prevê duas etapas: a primeira constitui-se de um levantamento bibliográfico para formação de um rol de padrões de competitividade feito a partir de periódicos e outras produções cientificas e informacionais relacionadas ao setor produtivo. Na segunda etapa o rol será submetido à validação por especialistas do setor através do método Delphi. Este trabalho apresenta os resultados obtidos na primeira etapa da pesquisa. Resultados e Discussão: O setor laneiro enfrentou uma grave crise na década de 1970, decorrente do não acompanhamento de avanços tecnológicos, internacionalização e excesso de oferta de lã no mercado mundial. Os reflexos desta crise foram sentidos principalmente na metade sul do RS, que reduziu em 70% o rebanho ovino gaúcho entre 1974 e 2007 (IBGE, 2009). Especificamente em Santana do Livramento ocorreu a desestruturação da cadeia produtiva da lã explicitada pelo descompasso competitivo dos ovinocultores e pelo encerramento das atividades do Lanifício Albornoz em 1996. Outros atores deste mercado como Uruguai e Austrália, se organizavam para criar fortes mecanismos de apoio a produção de lã ovina de qualidade e superar mais rapidamente a crise. Estes países criaram respectivamente o Secretariado Uruguaio de La Lana (SUL), em 1966 (SUL, 2009) e a Australian Wool Corporation (AWC) em 1973 (AWI, 2009), organizações que garantem espaços nos mercados internacionais e condições competitivas em um ambiente de concorrência cada vez mais acirrada. Pelo lado do consumo, contemporaneamente, países como Itália, Alemanha, China e Índia demandam volumosas quantidades de lã anualmente (SUL, 2009). Além disso, diferenciação e diversificação do produto têm gerado vantagem competitiva, a partir da agregação de maior valor ao produto (AWI, 2009). Conclusões: Os padrões de competitividade para a ovinocultura de lã são: fornecimento de uma lã de baixa micragem (abaixo de 24 mu); com um bom rendimento à lavagem; com baixo nível de vegetais entre as fibras; com um longo comprimento, baixa variabilidade de micragens e uma força de tração que suporte 16 quilogramas (rocado) nas mechas; com baixa medulação além de parâmetros complementares como maciez, brilho, ondulações e coloração após a lavagem. No elo industrial da cadeia, a competitividade se dá pela inovação, criação conceitos, desenvolvendo novos produtos que irão atuar em segmentos antes não tangenciados pela lã. Os produtos deverão proporcionar conforto e prazer aos usuários, explorando as características naturais da lã, como isolação de temperatura e controle de umidade. O domínio tecnológico e a preservação ambiental completam o quadro. Orgão de Fomento: CNPq

Palavras-chave


padrões de competitividade, ovinocultura de lã, concorrência, inovação

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