As Faces Da Infância Em São Gabriel, Rs/brasil

Leduina Dutra Ferreira, Fernanda Illamas Gallon, Patrícia Ramos Ferrari, Josiane Martins Flores, Vilmar Alves Pereira

Resumo


Introdução: Já se passaram trinta e seis anos que Philippe Ariès em sua História Social da Criança e da Família defendeu a tese de que a criança sempre existiu, mas a infância não. Em pleno século XXI essa afirmação ainda continua atual. Há muitas crianças que não vivem a sua infância. Em outros casos, há modos diferentes das crianças viverem sua infância de acordo com os determinismos impostos pelo contexto onde se encontram inseridas. Investigar esses modos consiste numa tarefa de grande importância aos educadores de nossa época. A cidade de São Gabriel - RS recentemente teve destaque na mídia pela descoberta de uma rede de pedófilos. Conhecer a infância para melhor compreendê-la a partir deste cenário consiste num dos grandes desafios desse projeto. Esta pesquisa está relacionada ao Projeto Infância e Mundo da Vida. Este projeto tem como objetivo principal criar um programa de qualidade de vida infantil, no final de 3 anos. Mas quem são essas crianças? Quais são suas brincadeiras? Possuem noção da violência nos contextos onde estão inseridas? Como concebem a televisão? Como são suas relações com a escola, família e amigos? Quais são suas expectativas de vida? Como gostariam que fosse sua escola? A partir desse referencial o presente estudo tem como objetivo fazer uma análise inicial sobre a forma que a infância é vivida no contexto dos Bairros Santa Clara e 3 de Outubro do município de São Gabriel, onde crianças vivem em situações menos favorecidas. Material e Métodos: As atividades estão sendo realizadas desde o início do presente ano. No primeiro semestre, foram realizadas leituras sobre a temática da infância a partir de literatura atualizada e, com base nessas leituras, foi produzido um questionário. No início do segundo semestre, depois de agendadas as visitas nas escolas, o referido questionário foi aplicado com crianças com idades entre 6 e 12 anos que vivem nos dois bairros citados. Foram preservadas as identidades dos entrevistados, sendo mantidos apenas os dados referentes à idade, sexo e série de cada um. Resultados e Discussão: A partir de uma primeira análise dos questionários tivemos comprovadas nossas expectativas iniciais a respeito sobre as condições em que se encontram essas crianças. Grande parte dos entrevistados do Bairro 3 de Outubro expressaram suas preocupações com relação à violência que ocorre dentro da escola onde estão inseridas, o que podemos verificar na fala de uma menina de 10 anos que está na 4ª série: “Eu queria que os recreios fossem de cada turma separado, por causa que os grandes machucam os pequenos.”. Já no bairro Santa Clara, grande parte dos entrevistados demonstraram ter um modelo familiar desestruturado, como vemos na expressão de uma menina de 10 anos que está na 3ª série: “Tenho uma irmã Mônica, o Cebolinha, o Cascão, o Xico Bento e o Anjinho, comigo 6. Meu pai mora em Farroupilha, ele e a minha tia cuidam dos meus 3 irmãos. A minha mãe cuida dos meus 2 irmãos. Eu e a Rosinha moramos com a minha vó. A Rosinha é irmã do meu pai. O meu pai eu não vejo. A minha mãe faz 2 meses que eu não vejo ela.” Conclusões: Os resultados parciais demonstraram que a infância não está sendo vivida de forma plena, pois os entrevistados apresentaram muitas preocupações e inquietações que não deveriam ocorrer nessa fase da vida. Existem alguns aspectos que denotam uma vivência da infância sem muitos recursos financeiros. Estes permitem ainda alguma criatividade em relação a algumas brincadeiras, fugindo a lógica da infância consumista e tecnocrática. Orgão de Fomento: PBDA - UNIPAMPA

Palavras-chave


Infância, Faces, São Gabriel

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