Preparação De Vertebrados Fósseis: Um Desafio TÉcnico Do Laboratório De Paleobiologia Da Universidade Federal Do Pampa

Ana Luiza Ramos Ilha, Roberto De Azambuja Melo, Sérgio Dias-da-silva

Resumo


Introdução: A equipe do Laboratório de Paleobiologia da Universidade Federal do Pampa (LabPaleo/UNIPAMPA) é composta presentemente por um professor orientador e dois acadêmicos de graduação em biologia. Desenvolve atividades de prospecção, coleta, preparação, descrição e estudo de vertebrados fósseis na metade sul do Estado do Rio Grande do Sul. Dentre estas atividades, a preparação laboratorial dos materiais consiste em uma importante etapa técnica da pesquisa paleontológica. Os materiais coletados sofrem delicado trabalho de limpeza após sua retirada da matriz rochosa onde se encontravam inseridos durante milhões de anos. Material e Métodos: No presente momento, dois materiais importantes exigem atenção integral do LabPaleo/UNIPAMPA, a saber: um crânio de um procolofonídeo e um crânio anfíbio temnospôndilo. Tratam-se de espécimes frágeis e peças singulares, requerendo dedicação e habilidade, além de muita paciência de maneira a minimizar os possíveis danos causados durante sua preparação. Na preparação em andamento, estão sendo utilizados instrumentos odontológicos, agulhas, lupas de mesa e de mão, talhadeiras, marteletes, motor de percussão elétrico e pincéis (utilizados na limpeza do material). Resinas diversas são usadas na reparação, colagem e reconstrução de partes faltantes ou danificadas (paralóide, superbonder, monômero e polímero auto polimerizante). O motor de percussão elétrico foi utilizado na fase inicial de preparação do crânio do anfíbio que se encontrava inserido em grande quantidade de sedimento muito cimentado e de difícil retirada devido à presença de óxido de manganês. O trabalho manual de retirada dos sedimentos já dura 8 e 4 meses, para o anfíbio temnospôndilo e para o procolofonídeo, respectivamente. Resultados e Discussão: A preparação do anfíbio temnospôndilo já pode revelar características anatômicas importantes. A progressiva exposição do material poderá revelar maiores informações. Neste estágio de preparação, as características anatômicas que este apresenta já revelam que esta é a primeira ocorrência de um táxon laurasiano dentro no Gondwana, devido à presença de identações em ambos lados do rostro, duplo par de presas pós-coanais no palato e ossos craniais de articulação mandibular pequenos e pouco ossificados. Já o crânio do procolofonídeo, ainda em fase mais inicial de preparação, está sendo tratado como táxon já descrito e conhecido. Isto se deve ao fato de que sua dentição maxilar e mandibular é característica de Procolophon trigoniceps (pararéptil amplamente distribuído no Gondwana). Com a preparação deste novo espécime é provável que novas informações acerca da anatomia palatal e neurocraniana de P. trigoniceps podem ser reveladas, uma vez que poderá ser divisada parte de sua anatomia neurocraniana, ainda pouco conhecida em materiais sulamericanos. Conclusões: A preparação dos dois exemplares fósseis, embora se configure em trabalho de desenvolvimento lento, é etapa fundamental no estudo paleontológico e deve ser levada a cabo de forma paciente e detalhista. Um espécime bem preparado pode revelar características diagnósticas em termos antômicos e taxonômicos. Via-de-regra, os fósseis coletados escondem informações que vão sendo reveladas pouco a pouco durante o processo de preparação. Isto acaba transformando esse trabalho altamente técnico em uma jornada de descobrimento acerca da anatomia, taxonomia, bioestratigrafia e relações filogenéticas de antigas formas de vida. Orgão de Fomento: CNPq

Palavras-chave


Paleontologia, Preparação de Fósseis, Temnospondyli, Parareptilia, Limite Permotriássico

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