Avaliação Da Estabilidade FÍsica De Sistemas Dispersos Contendo Extratos Obtidos A Partir Do Farelo De Arroz.

Roseleine Emilia Guevedo Schneider, Camila Martins Güez, Laís Englert Moutinho, Cristiane Ziech, Fabiana Ernestina Barcellos Da Silva

Resumo


Introdução: O farelo de arroz é um subproduto do processamento do arroz, gerado a partir do polimento do grão. Diferentes estudos demonstram que o farelo pode ser utilizado como matéria-prima para indústrias de extração de óleo comestível, componente na formulação de rações para animais, matéria-prima alimentícia e potencial emulsificante em produtos com alto teor de gordura. Recentemente, o uso na indústria de cosméticos passou a ser estudado, devido a característica antioxidante de seus extratos. Os compostos antioxidantes podem ser extraídos do farelo através de diferentes métodos, como maceração, percolação, hidrodestilação e extração com fluido supercrítico, sendo que a característica do extrato e sua composição está diretamente relacionada com a polaridade do solvente escolhido. Os sistemas dispersos compreendem as preparações semi-sólidas contendo substâncias que se encontram uniformemente distribuídas em um veículo. A incorporação de extratos vegetais em sistemas dispersos possibilita o desenvolvimento de formulações que podem ser utilizadas para uso tópico, como cremes, géis e pomadas. Estas formulações são passíveis de patente e podem agregar valor ao subproduto, promovendo o desenvolvimento regional, visto ser esta região uma das maiores produtoras de arroz. Para assegurar a qualidade destas formulações durante toda sua vida útil é necessária a realização de testes de estabilidade. Apesar de serem procedimentos preditivos, os testes de estabilidade podem ser realizados com êxito, pois são baseados em dados obtidos a partir de métodos que aceleram alterações que possam ocorrer com o produto nas condições de mercado. Este trabalho tem como objetivo desenvolver e avaliar a estabilidade física de sistemas dispersos (cremes e géis) contendo extrato obtido a partir do farelo de arroz. Material e Métodos: Para a obtenção dos extratos de farelo de arroz empregou-se a maceração como método de extração utilizando solventes polares (etanol e água). Após o desenvolvimento dos sistemas dispersos o extrato foi incorporado nas concentrações de um, dois e quatro por cento, nas diferentes bases (creme óleo/água não iônico e gel de Carbopol), perfazendo um total de seis diferentes formulações. Os testes de estabilidade física foram conduzidos a partir da avaliação de parâmetros que apontam a coalescência das gotículas da fase interna (para a forma creme) ou desestabilização do polímero (para a forma gel). Os testes realizados foram: avaliação do aspecto externo, teste de centrifugação, ciclo gelo-degelo, avaliação de pH, avaliação microscópica e teste de espalhabilidade. As formulações foram avaliados em triplicata e por um período de oitenta e cinco dias. Resultados e Discussão: Os testes aplicados mostraram que a variação da percentagem do extrato não provocou alteração na estabilidade física das formulações, durante o período de estudo. A escolha adequada dos componentes da fase oleosa/aquosa e da concentração do agente gelificante proporcionou o desenvolvimento de sistemas dispersos estáveis, mesmo após a adição de um percentual significativo do extrato vegetal. Conclusões: Desta forma, conclui-se que as formulações desenvolvidas são adequadas para a produção de uma forma farmacêutica de uso tópico contendo extrato obtido a partir de farelo de arroz. Estudos posteriores devem ser conduzidos para avaliação da permeação cutânea das substâncias ativas e ação farmacológica/cosmética das mesmas, bem como estudos de estabilidade química para determinação do prazo de validade da formulação. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Estabilidade Física, Farelo de arroz, Sistemas dispersos

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