Avaliação Epidemiológica Da Rejeição Dos Doadores No Banco De Sangue Municipal De Uruguaiana/rs

Vanessa Neves Brondani, Daniele Machado, Rafaela Lopez Balk, Alexandre Meneghello Fuentefria

Resumo


Introdução: Após a descoberta dos grupos sanguíneos, as transfusões tem sido parte fundamental da prática médica sendo utilizadas no tratamento de pacientes com câncer, transplantes, cirurgias de grande porte e outras doenças. Principalmente após o aparecimento da AIDS e com alguns casos de contaminação pelo vírus HIV através de transfusões sanguíneas, a segurança das transfusões começou a ser questionada, sendo necessária a criação e implementação de testes sorológicos para doenças infecto contagiosas para garantir a segurança dos receptores. O Ministério da Saúde preconiza a realização de exames sorológicos para HIV I e II, HTLV I e II, HCV, HBV, T. cruzi, Treponema pallidum, Plasmodium em áreas endêmicas de malária e CMV para pacientes imunossuprimidos para cada bolsa de sangue coletada. Segundo a RDC nº 153 de 2004, que determina o Regulamento Técnico para os procedimentos hemoterápicos, antes dos testes sorológicos o candidato a doador deve passar por uma etapa denominada triagem clínica que investiga a presença de fatores de risco associadas a doenças infecto-contagiosas. O objetivo deste trabalho é analisar os dados epidemiológicos das bolsas de sangue rejeitadas no Banco de Sangue Municipal de Uruguaiana, RS. Material e Métodos: Foram coletados dados sorológicos de 4.646 fichas de candidatos a doadores do Banco de Sangue Municipal de Uruguaiana no período de 1 de janeiro de 2008 a 30 de junho de 2009. Os testes sorológicos realizados foram aqueles exigidos pelo Ministério da Saúde, com exceção do Citomegalovírus. Resultados e Discussão: Do total das 4.646 sorologias realizadas durante o ano de 2008 a junho de 2009, 4.494 bolsas não apresentaram reação positiva nos testes realizados para Doença de Chagas, HIV I/II, hepatite B e C, HTLV e sífilis e 154 (3,31%) com sorologia reagente para os mesmos patógenos. Das bolsas com sorologia positiva, foi encontrada soroprevalência de 42,21% para hepatite B, 25,32% hepatite C, 19,48% para doença de Chagas, 8,44% para HIV I, 5,19% HVI II, 3,23% sífilis e 0,65% HTLV, considerando que, 5,85% das bolsas foi detectado mais de um marcador. Não foram realizados testes sorológicos para CMV, pois é feita a desleucocitação das bolsas devido ao fato deste vírus localizar-se nos leucócitos. A alta prevalência de sorologia positiva para a doença de chagas, comparada com dados encontrados para outras regiões do estado, está relacionada com o fato da região oeste do RS ser uma área endêmica e com a economia voltada pra a agricultura e agropecuária. Segundo a ANVISA, a média de descarte de bolsas de sangue por triagem sorológica no Brasil é de 10 a 20%, ou seja, o valor encontrado em Uruguaiana está abaixo desse índice devido a eficiência na triagem clínica. Conclusões: A transfusão sanguínea é um processo que mesmo quando realizado com segurança e dentro das normas técnicas oferece um risco, seja imediato ou tardio, de contaminação por inúmeras doenças infecciosas para o receptor do sangue transfundido. Com um método rigoroso, tanto na triagem clínica quanto na triagem sorológica é possível prevenir a transmissão de doenças infecto-contagiosas aos receptores Orgão de Fomento:

Palavras-chave


doação de sangue, triagem sorológica

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