Influência Do Treinamento Sobre A Ativação Muscular Do Vasto Lateral E Gastrocnêmio Durante O Ciclismo

Helen Lidiane Schimidt, Felipe P. Carpes

Resumo


Introdução: Estudos indicam que o treinamento promove mudanças nos padrões de recrutamento dos músculos, bem como uma menor variabilidade na ativação muscular. Isso poderia resultar de adaptações específicas à tarefa, sendo visualizadas quando comparamos sujeitos treinados e não-treinados. Na pedalada músculos extensores do joelho têm maior participação na produção de potência do que aqueles atuando sobre a articulação do tornozelo. Dessa forma, músculos como o vasto lateral (VL) poderiam apresentar adaptações maiores que músculos como o gastrocnêmio medial (GM). O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do treinamento sobre a ativação elétrica dos músculos VL e GM em ciclistas e não-ciclistas. Considerando que indivíduos treinados apresentam vantagem neuromuscular, ilustrada por menor magnitude de ativação muscular, nossa hipótese foi de que VL e GM de ciclistas deveriam apresentar menor ativação do que não-ciclistas. Material e Métodos: Participaram do estudo nove ciclistas treinados, sexo masculino, com volume semanal médio de treinamento de 350±80km e idade de 27±6 anos, e nove indivíduos fisicamente ativos e condicionados mas sem nenhum treinamento especifico para membros inferiores, sendo sete homens e duas mulheres com idade média de 24±3 anos. Os sujeitos foram submetidos a um teste incremental máximo realizado em cicloergômetro, com carga inicial de 50W acrescida de 25W a cada minuto (para ciclistas) e a cada 3 min (para não-ciclistas), até exaustão voluntária. A cadência de pedalada foi a preferida, e mantida via feedback visual. Durante este teste, a ativação muscular dos músculos VL e GM do membro inferior direito foi registrada por um eletromiógrafo Miotec (BRA) e de acordo com a ISEK (International Society of Kinesiology and Electromyography). O valor RMS médio de 12 ciclos de pedalada foi considerado como indicador da magnitude de ativação, sendo normalizado pelo valor máximo obtido no teste incremental, e analisado para quatro diferentes intensidades (40%, 60%, 80% e 100% da potência máxima produzida durante o teste). Os dados médios foram analisados quanto à normalidade e comparados entre grupos e intensidades por meio de análise de variância. Resultados e Discussão: Os sujeitos treinados apresentaram menor valor RMS para o VL do que os sujeitos não-treinados. O músculo VL apresentou aumento na ativação muscular com o aumento da carga para os dois grupos; porém no grupo dos ciclistas com menor magnitude. Já o músculo GM não diferiu entre os grupos, e não apresentou mudanças significativas na ativação muscular com a sobrecarga. Os achados indicam que a alteração na ativação muscular com o aumento da sobrecarga é diferente em indivíduos treinados e não treinados, e isso difere entre os músculos VL e GM. O VL, por ser um músculo produtor de força, tem sua ativação mais influenciada pela sobrecarga, enquanto o GM, que é um músculo importante para a transferência de energia através da articulação do tornozelo durante a pedalada, não tem sua ativação alterada ao longo do exercício. Conclusões: A magnitude de força e a experiência têm influência sobre a atividade muscular especialmente em músculos produtores de maior nível de força durante a pedalada. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Treinamento, Adaptação Funcional, Vasto Lateral, Gastrocnêmio Medial, Bicicleta

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