Aves FrugÍvoras: Preferência Por Coloração De Frutos Artificiais, No MunicÍpio De Uruguaiana, Rs

João Paulo Câmara Canto

Resumo


Introdução: O estudo das interações planta-animal está entre os mais ativos campos da biologia evolutiva e o papel das interações nas características das espécies que interagem é ainda um foco importante da pesquisa ecológica (MALO & BAONZA, 2002). Segundo AGUIAR (2009), a frugivoria é uma peça importante para a manutenção da diversidade de espécies de plantas tropicais, já que muitas vezes está relacionada à dispersão de sementes. No entanto, geralmente frutos consumidos por aves são pequenos, esféricos, de coloração conspícua e sem odor (LEVEY et al., 1994, JANSEN, 1970). O comportamento das espécies frugívoras pode influenciar os padrões de distribuição de sementes e, consequentemente a estrutura de plantas. Trabalhos feitos com Aves com relação à hábitos alimentares, suas interações e aprendizagem são de extrema importância pois proporcionam um estudo do seu comportamento e suas preferências. O experimento com frutos artificiais em trabalhos de frugivoria, propicia uma forma concreta de avaliação de comportamento. Considerando que aves são animais de orientação visual, o objetivo desta pesquisa foi testar se as aves escolhem a cor do fruto que consomem e se existe aprendizagem das aves em relação ao primeiro e segundo dia de exposição dos frutos. Material e Métodos: Com massa de modelar atóxica (plastilina) foram confeccionados 300 frutos artificiais de 5 gramas, de coloração vermelha, preta e alaranjada. Os três tipos de cores para os frutos artificiais, foram escolhidos baseando-se na coloração dos frutos naturais que ocorrem na região. Estes modelos de frutos artificiais foram fixados, com auxílio de um barbante, nos 30 arbustos selecionados, sendo que cada 10 arbustos receberam 10 frutos de uma única cor. Os frutos foram colocados em plantas arbustivas, mantendo a distância mínima de 05 metros entre estes e amarrados aos galhos de plantas sem frutos, alternando em alturas distintas.Os frutos artificiais foram colocados no início da tarde, sendo inspecionados no final da tarde dos dois próximos dias, para verificar o ataque das aves nos frutos, indicando a preferência por cor e se houve aprendizagem em relação ao primeiro e segundo dia de exposição dos frutos em campo. Resultados e Discussão: Do total de 30 arbustos com frutos artificiais, 60% dos arbustos tiveram sinais de ataque nos dois dias de exposição, 40% de arbustos tiveram seus frutos atacados no primeiro dia e 16% dos arbustos voltaram a ser atacados no segundo dia. Dos 300 frutos artificiais expostos nos dois dias, 31 foram bicados (10,3%). 4,7% dos frutos alaranjados tiveram sinais de frugivoria, 3,3% dos frutos de coloração preta e 2,3% dos frutos de coloração vermelha. Os frutos de coloração alaranjada foram os mais atacados em relação aos de coloração preta e vermelha. A cor parece ser um fator importante para a seleção de frutos pelas aves (LEITE, 2007). Houve preferência das aves por cores de frutos. No primeiro dia de exposição, 24 frutos foram atacados (8%) e no segundo dia, 7 frutos (2,3%). Conclusões: A interação da cor do fruto e o tipo de hábitat podem ter influenciado na freqüência da utilização dos frutos, sendo que áreas mais preservadas apresentam maior abundância de recursos e assim abrigam uma maior diversidade de aves. Apesar do estudo ser realizado em pequena escala espacial, podemos salientar que frutos artificiais são eficientes em registrar tentativas de consumo de frutos por aves. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Dispersão, Ornitocoria, Experimento

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