AnÁlise CladÍstica Dos Gêneros Da SubfamÍlia Belostomatinae (insecta, Heteroptera, Belostomatidae): Considerações Sobre Cuidado Paternal Em Weberiella

Larissa Paim Bernardo, Ana Lia Estévez

Resumo


Introdução: A família Belostomatidae compreende 10 gêneros com aproximadamente 150 espécies, das quais cerca de 100 estão representadas no Novo Mundo. Essa família constitui-se de efetivos predadores, os quais apresentam grande importância econômica, pois seus constituintes são considerados grandes pragas em criadouros de peixes. A família é dividida em três subfamílias. Destas, a subfamília Belostomatinae é a que apresenta o maior número de gêneros descritos listados a seguir: Abedus, Belostoma, o mais diversificado da família, Diplonychus, Appasus, Hydrocyrius, Limnogeton e Weberiella que se constitui apenas por Weberiella rhomboides, de posição incerta, registrada no Amazonas, Brasil. Baseado em duas árvores filogenéticas, uma delas puramente intuitiva, Belostomatinae é considerada a mais derivada das subfamílias, apresentando como características exclusivas os esternitos abdominais não divididos por sutura, a membrana do hemiélitro reduzida, o ápice do falossoma angulado e o hábito dos machos cuidarem e carregarem os ovos sobre os hemiélitros (comportamento “back-brooding”). Tal comportamento envolve no mínimo o hábito de se manterem na superfície, expondo os ovos ao ar atmosférico (“surfacing”). Esse tipo de cuidado parental é registrado em representantes de poucas famílias de insetos da ordem Hemiptera. Em Belostomatidae, esse cuidado paternal era conhecido ocorrer em Abedus, Belostoma, Diplonychus, Hydrocyrius e Limnogeton. Material e Métodos: Foi realizada uma análise cladística dos gêneros de Belostomatinae, representado por espécies na análise. As hipóteses formuladas de homologia resultaram em 43 caracteres com seus estados distribuídos entre 20 táxons na matriz da análise, sendo seis como grupos-externos pertencendo à subfamília Lethocerinae e Horvathiniinae. Essas espécies foram submetidas a uma análise de parcimônia. Resultados e Discussão: Foram coligidos representantes machos de W. rhomboides, no Amazonas, portando pequenas massas de ovos sobre os hemiélitros. Tal informação foi usada na confecção da análise, sendo obtidas 732 árvores mais parcimoniosas, com 82 passos, IC=0,72, IR=0,85 e RC=0,61. Destas, o grupo-interno apresenta a seguinte topologia (que é igual àquela obtida a partir do procedimento de ponderação sucessiva e igual à outra obtida com o ajuste de Goloboff com k=2) (táxons entre aspas são possivelmente não monofiléticos): (((Belostoma (“Abedus” (Weberiella rhomboides (Hydrocyrius (Limnogeton (Appasus, Diplonychus)))))). O monofiletismo de Belostomatinae não foi refutado e é sustentado por algumas das características já sugeridas nas outras análises, como o hábito dos machos cuidarem e carregarem os ovos sobre os hemiélitros (apresentando o comportamento “surfacing”) e os esternitos abdominais não divididos por sutura. Belostomatini (Abedus+Belostoma) não aparece como um grupo monofilético, o que deve explicar o não surgimento aparente do segundo comportamento mais comum em Belostomatinae, “brood-pumping”, nos representantes de Belostoma. Esse gênero, ao contrário das outras análises, não é um táxon espúrio e aparece como mais basal. Conclusões: O comportamento “back-brooding” parece favorecer a ocupação de uma comunidade conspícua na Amazônia, o kinon (biocenose muito instável do filme superficial de rios). Seria mais custoso, para uma fêmea, colocar os ovos em outro lugar fora d’água (comportamento “emergent-brooding”), bem como para o macho cuidar deles. Tal comportamento demandaria uma maior quantidade de alimento disponível, o que essa biocenose não oferece. Orgão de Fomento: PBDA/UNIPAMPA

Palavras-chave


barata d'água, morfologia, filogenia, corpos d'água, cuidado parental

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