Administração Subcrônica De CafeÍna Altera A Densidade Dos Transportadores De Glutamato Em Fatias De Hipocampo De Ratos Adultos.

Fernanda Somavilla, Ana Paula Pegoraro Zemolin, Andréia Suchard Pires, Marcelo Silveira Da Costa, Lucia Helena Do Canto Vinadé

Resumo


Introdução: O Glutamato, neurotransmissor excitatório mais abundante no sistema nervoso central (SNC), pode tornar-se um agente neurotóxico se não removido da fenda sináptica por transportadores neuronais principalmente, astrocitários. cafeína, substância psicoestimulante mais consumida no mundo, encontrada no café, no mate e nos refrigerantes à base de cola, atua via os receptores de adenosina, bloqueando-os e conseqüentemente aumentando o estado de “alerta”. A adenosina participa também da neurotransmissão glutamatérgica, controlando a liberação de glutamato e a disfunção na sua sinalização está relacionada a vários eventos que contribuem para a morte neuronal. Porém, a ação da cafeína sobre a captação do glutamato nunca foi estudada. O objetivo deste trabalho foi investigar os efeitos da administração de cafeína sobre acaptação de glutamato e a densidade dos transportadores de glutamato Material e Métodos: Foram utilizadas fatias de hipocampo de ratos machos Wistar adultos que receberam o veículo (salina 0,9 g%, i.p.) ou cafeína (10 mg/kg, i.p.) por 1, 3, 15 ou 30 dias consecutivos. As fatias foram homogeneizadas, submetidas a SDS-PAGE e as proteínas foram eletrotransferidas para membrana de nitrocelulose. A seguir foi feita a incubação com os anticorpos dos transportadores de glutamato GLAST e GLT-1 (astrocitários), EAAC1 (neuronal) e VGLUT-1 (vesicular) e também da enzima quinase dependente de cálcio calmodulina do tipo II (CaMKII), importante nos mecanismos envolvendo o sistema glutamatérgico. Resultados e Discussão: Os ratos que receberam cafeína durante 15 dias apresentaram uma diminuição na densidade dos transportadores EAAC1 (35%) e GLAST (25%), enquanto que na densidade do GLT-1 houve um aumento de 25%. Nos demais tratamentos não foram encontradas diferenças significativas entre veículo e cafeína. O imunoconteúdo do transportador VGLUT-1 diminuiu no grupo tratado com cafeína por 1, 3 e 15 dias, 25%, 20% e 15%, respectivamente. Resultados preliminares demonstraram que não houve alteração no conteúdo da enzima CaMKII nos ratos tratados com cafeína. Conclusões: Nossos resultados sugerem que a densidade dos transportadores de glutamato hipocampais respondem ao tratamento com cafeína. Esses efeitos variaram em função do tempo de administração, sendo mais evidentes nos tratamentos de 3 e 15 dias, sugerindo uma possível participação de captação do sistema glutamatérgico nos efeitos estimulantes da cafeína. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Cafeína, Glutamato

Apontamentos

  • Não há apontamentos.