Remanescente Linear: Composição E Utilização Por MamÍferos Terrestres E AnfÍbios Anuros, Cerro Do Jarau, Quarai, Rs. Brasil (dados Parciais)

Karine Arriaga Almerini, Alice Raquel Fortunato, Joceleia Gilmara Koenemann

Resumo


Introdução: A vegetação que recobre o Cerro do Jarau diferencia-se de toda a formação campo, apresentando espécies do tipo arbóreo e semi-arbustiva, somente encontrada em matas de galeria. Por conseqüência da fragmentação florística, formam-se pontos de vegetação nativa que são utilizados como hábitat da fauna ou via de acesso a outros ecossistemas. Esses pontos de vegetação nativa são considerados remanescentes lineares, desde que apresentem-se de forma longitudinal e que interliguem dois ecossistemas semelhantes entre si. No Cerro do Jarau, mamíferos terrestres e anfíbios anuros utilizam com freqüência este tipo de remanescente. Partindo deste pressuposto, objetiva-se com este estudo identificar os exemplares da masto e anurofauna presentes no local bem como o modo de utilização. Material e Métodos: As coletas de dados estão sendo realizadas mensalmente, tendo ínicio em março de 2009 e previsão de término em dezembro de 2009. O Cerro do Jarau localiza-se no município de Quaraí, com as coordenadas 29°40' a 30°30' de latitude Sul e 56°30' a 57°40' de longitude Oeste. No remanescente linear foram determinadas três áreas para cada observador, no qual dois observadores permanecem 30 minutos em cada ponto. A metodologia do transecto consiste na caminhada de um observador, utilizando um binóculo, a uma velocidade constante de 1-1.5 km/hora e com paradas a cada 10 m. As paradas permitem ao observador perceber ruídos e movimentos dos animais e, assim, aumentar a eficiência do censo. Cada vez que um animal ou grupo for observado, são registradas as seguintes informações: horário, tipo de hábitat onde o animal foi encontrado, espécie, número de indivíduos, modo de detecção, visual, movimento, vocalização, cheiro e fezes, distância animal-observador, distância perpendicular entre o animal e o transecto, altura que o animal foi avistado. Resultados e Discussão: Os resultados obtidos são representativos do período de março de 2009 a setembro de 2009. Os Mamíferos terrestres encontrados foram: Didelphis albiventris, Conepatus chinga, Lycalopex gymnocercus, Cerdocyon thous, Mazama sp. Anfíbios anuros: Odontophrynus americanus, Hypsiboas pulchellus, Rhinella marina, Scinax fuscovarius, Pseudopaludicula falcipes Leptodactylus ocellatus, Physalaemus cuvieri, Bufo arenarum. A utilização remanescente por Didelphis albiventris e Conepatus chinga deu-se unicamente no intuito de predar anfíbios anuros encontrados na Sanga do Inhanduvaí, que corta o remanesente linear e outros pequenos vertebrados, respectivamente. Lycalopex gimnocercus, Cerdocyon thous e Mazama sp. utilizaram o remanescente apenas como refúgio e acesso a outras localidades. Os anfíbios anuros possivelmente não usam o remanescente como corredor, ao contrário dos mamíferos, utilizam como habitat. Fazem uso das áreas alagadas do mesmo como sítio de vocalização na temporada de reprodução, capturam insetos para a alimentação e refugiam-se dos predadores. Conclusões: O remanescente linear no Cerro do Jarau tem importância significativa para as espécies nativas, pois desempenha um fundamental papel ecológico. Proporciona aos animais as condições básicas para a sobrevivência, no caso dos anuros: local de refúgio, alimentação e sitios de vocalizações e aos mamíferos terrestres: corredor de acesso as demais áreas, evitando a exposição nas áreas antropizadas, abrigo e ambiente para alimentação. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Anurofauna, Mastofauna, Fragmentação, Etologia, Inventário

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