AnÁlise De Amostras FitolÍticas Da Formação Touro Passo (pleistoceno Superior) Rio Grande Do Sul, Brasil (dados Preliminares)

Graciela Marques Suterio, Enrique Querol Chiva

Resumo


Introdução: Silicofitólitos são pequenas acumulações silicosas que se encontram nos espaços intercelulares do tecido epidérmico dos vegetais. Sua composição permite uma preservação durapártica, que é facilitada pela baixa oxidação sofrida. Os fitólitos são muito utilizados como ferramentas paleoambientais.Assim sendo este trabalho tem como objetivo analisar a presença da paleovegetação presente na formação Touro Passo, assim como compreender a relação da mesma com o paleoclima. Material e Métodos: A formação Touro Passo localiza-se entre os municípios de Uruguaiana e Itaqui no Rio Grande do Sul. O conjunto de afloramentos fossilíferos tem sido atribuído ao pleistoceno superior, idade-mamífero lujanense. De cada assembléia correspondente à Barranca Grande e a Ponte Velha I, com o auxílio de uma pá foram obtidas amostras em profundidades de 20 cm, 30 cm, 40 cm e 50 cm de sedimento, armazenados em sacos plásticos etiquetados, e posteriormente levados ao laboratório de solos da Puc Uruguaiana, para prosseguir com as atividades de extração dos silicofitolitos do sedimento, sendo utilizada a técnica de extração de fitólitos proposta por Zucol e Osterrieth, 2002. Foram montadas num total de 20 lâminas correspondentes a assembléia da Barranca Grande e 20 lâminas à Ponte Velha I, as mesmas foram visualizadas em microscópio óptico, para a identificação dos fitólitos. Resultados e Discussão: Até o momento foram estudadas 12 lâminas correspondentes a assembléia da Barranca Grande, onde no total foram classificadas quinze morfotribos e identificados quinze morfogêneros, a morfotribo Amorfolita foi desconsiderada quantitativamente por ser definida como todo e qualquer fragmento de fitólito inclassificável. A morfotribo encontrada em todas as lâminas, e que apresentou mais diversidade de formas opálicas foi a Prismatolita, desta foram classificados seis morfogêneros; entre eles encontrou-se o Psiloprismatolita caracterizado por apresentar superfície rugosa e bordas lisas também por possuir afinidade botânica com Juncos effusus; também o Catenoprismatolita comum em Jamesonia bogotensis; uma pteridófita representada no Brasil por outros gêneros, que possuem a característica de estarem associados às florestas de Araucária ou locais rochosos e úmidos, trata-se de um fitólito característico por apresentar bordas com três ou mais lóbulos visíveis e largos. Já o Uldoprismatolita encontrado em todas as amostras é caracterizado por possuir uma das bordas serrilhada, ondulada ou denteada ocorre comumente em Carex pinchicensis, uma macrófita aquática da família das Cyperaceas. As morfotribos Braquiolita e Estrobilolita encontraram-se presentes em 11 lâminas, entretanto pequena foi a diversidade encontrada entre seus morfogêneros. Deu-se destaque a morfotribo Globulita representada pelo gênero Globulolithum, pois possuem vasta afinidade com a família Arecaceae, família que possui poucas espécies que chegam até áreas subtropicais segundo Ribeiro et. al; 1999 porém até o momento não há registro para sua existência desta família na mata ciliar do arroio Touro Passo. Conclusões: Contudo os presentes resultados conferem com Bombim, 1976 sendo as morfotribos encontradas indicativas de microclima úmido, porém não necessariamente quente talvez semelhante ao atual; assim também como nos indicam os dados paleofaunísticos estudados na região por Kerber e Oliveira, 2008 onde a presença de Tupinambis, H. hydrochaeris, Tapirus, Tayassu, H. paulacoutoi e Testudines indicam um clima tropical à intertropical. Orgão de Fomento: BPA/PUCRS

Palavras-chave


Sicofitólitos, Paleoecologia, Quarternário

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