Antidepressivos TricÍclicos: Ações Toxicológicas Sobre A Atividade Antioxidante E Comportamental Em Ratos.

Jessika Cristina Bridi, Rodrigo De Souza Balk, Michele Hinerasky Da Silva, Nélson Rodrigues De Carvalho, Fernando Dobrachinski

Resumo


Introdução: A ativação do eixo Hipotálamo – Pituitária – Adrenal e a liberação glicocorticóides são adaptativas e essenciais para a sobrevivência imediata do organismo quando em resposta a estímulos agudos, mas em níveis elevados liberados durante estresse prolongado, podem induzir á lesões neuronais. Os antidepressivos tricíclicos são os mais antigos antidepressivos usados em larga escala nas desordens alimentares, dolorosas e ansiolíticas. Dentre os antidepressivos tricíclicos destaca-se a clomipramina que age na inibição da recaptação de monoaminas com ações indiretas sobre o sistema dopaminérgico e eixo Hipotálamo – Pituitária – Adrenal. O uso crônico reforça a capacidade do organismo de enfrentar o estresse e pode influenciar a expressão de comportamentos incluindo memória, aprendizado e funcionamento sensório motor. Assim, este estudo visa investigar os efeitos do tratamento crônico com clomipramina sobre o estresse oxidativo, quantificado por tbars e dcf assim como os efeitos comportamentais em ratos machos induzidos a um modelo de estresse repetido por contenção. Material e Métodos: Foram utilizados 20 ratos wistar machos, 60 dias, peso médio de 250 gramas. O modelo de estresse repetido por contenção consistiu em colocar os animais em cilindros plásticos, adaptados a dimensão corporal, durante 1 h/dia por 40 dias. O tratamento com clomipramina foi realizado por 27 dias consecutivos com dose de 30mg/kg administrado via oral na água de beber dos animais. A ingesta liquida foi monitorada diariamente para controle da dose. O comportamento foi analisado através da tarefa de Preferência Condicionada de Lugar (CPP) sendo realizado por 8 dias. O equipamento utilizado apresenta dois compartimentos: um claro e outro escuro. Antes da tarefa, os animais receberam menos 90% de seu consumo diário de ração. O número de cruzamentos e o tempo de permanência em um ambiente claro foram analisados. Vinte roscas de Froot Loops (Kellogg’s) foram administrados durante a tarefa colocados como fator de motivação no ambiente claro. Após 40 dias, os animais foram sacrificados e retirados o córtex, estriado e hipocampo os quais foram, homogeneizados. As amostras sanguíneas foram coletadas por punção cardíaca. O estresse oxidativo foi quantificado por tbars (espécies reativas ao ácido tiobarbitúrico) e dcf (espécies reativas a diacetato de diclorofluoresceína). Resultados e Discussão: Verificou-se um efeito potencializador administração com clomipramina na quantificação de tbars em ratos submetidos ou não ao estresse repetido por contenção em amostras de estriado e hipocampo.Não houve, contudo, diferença significativa em amostras de córtex em todos grupos avaliados.Observou-se um efeito significativo de dcf em sangue de ratos tratados com clomipramina independente do estresse. Houve uma redução significativa quanto ao número de cruzamentos realizados para o ambiente claro assim como no tempo de permanência no referido ambiente nos grupos tratados cronicamente com clomipramina independente do estresse. Os déficits comportamentais, indicando danos nas vias dopaminérgicas, são comprovados através do estresse oxidativo em hipocampo e estriado evidenciando falhas na atividade antioxidante destas estruturas. Conclusões: Concluímos que os resultados sugerem que tratamento crônico com clomipramina não previne a lipoperoxidação lipídica, pelos menos em doses considerados tóxicas, ocasionando potencialização do estresse oxidativo sobre o hipocampo e estriado. Orgão de Fomento: CNPQ

Palavras-chave


Atividade Antioxidante, clomipramina, Estresse oxidativo, Estresse por contenção

Apontamentos

  • Não há apontamentos.