Efeitos Do Tratamento Crônico Com Clomipramina Sobre O Estresse Oxidativo E Comportamento Exploratório De Ratos Submetidos A Estresse Repetido Por Contenção

Michele Hinerasky Da Silva, Rodrigo De Souza Balk, Jessika Cristina Bridi, Mariana Heldt Motta, Felix Alexandre Antunes Soares

Resumo


Introdução: A clomipramina é um antidepressivo tricíclico que inibe a recaptação de serotonina e noradrenalina com ações indiretas sobre o sistema dopaminérgico e eixo hipotálamo – pituitária – adrenal. Cronicamente, reforça a capacidade do organismo de enfrentar o estresse e pode influenciar a expressão de comportamentos. A ativação do eixo hipotálamo – pituitária – adrenal e a liberação de glicocorticóides são adaptativas e essenciais para o organismo em resposta a estímulos agudos, mas em níveis elevados durante o estresse podem produzir efeitos deletérios como lesões neuronais. O estresse repetido por contenção aumenta o estresse oxidativo, via peroxidação lipídica, deixando o sistema nervoso central sensível a lesões. Desta forma, o estudo busca investigar os efeitos do tratamento crônico com clomipramina sobre os parâmetros de estresse oxidativo através da atividade da enzima superóxido dismutase (sod) e comportamento em ratos machos. Material e Métodos: Foram utilizados ratos Wistar machos com 60 dias, divididos em controle e estresse submetidos ou não ao tratamento com clomipramina. O estresse repetido por contenção consistiu em colocar os ratos em cilindros plásticos, adaptados ás dimensões corporais, durante 1h/dia por 40 dias. A clomipramina foi administrada com doses diárias de 30mg/kg na água de beber dos animais 13 dias após o início do estresse sendo a ingesta hídrica controlada durante todo o experimento para administração da dose. O comportamento exploratório foi avaliado através do teste do campo aberto (open field) realizado após 38 dias do início do estresse, onde contou-se o número de cruzamentos feito pelo animal e o número de “rearings” (vezes que o animal se eleva-se para explorar o ambiente). Após, o término do protocolo, os animais foram sacrificados e o córtex, estriado e hipocampo foram retirados e homogeneizados. A avaliação da atividade da enzima superóxido dismutase (sod) foi determinada espectrofotometricamente. As análises estatísticas foram realizadas por anova de uma via, seguido pelo teste de variância de Duncan, para comparar todos os grupos experimentais. Resultados e Discussão: Os resultados obtidos mostram um aumento significativo da atividade da sod em animais controle e estresse submetidos ao tratamento crônico com clomipramina em amostras de estriado e hipocampo quando comparados aos respectivos grupos não tratados. Não houve aumento significativo da atividade da sod em amostras de córtex. O tratamento crônico com clomipramina potencializa a atividade da enzima superóxido dismutase em amostras de estriado e hipocampo em ratos tratados com clomipramina independente do estresse repetido por contenção. A causa dessa potencialização não é conhecida. O comportamento exploratório foi menor nos grupos tratados com clomipramina, havendo um efeito significativo do estresse nos ratos tratados. O numero de "rearings" na tarefa de campo aberto também foi menor no grupo tratado com clomipramina, com efeito, significativo no estresse. Conclusões: O estresse repetido por contenção, juntamente com doses tóxicas de clomipramina alteraram a atividade da enzima sod e o comportamento de ratos. O mecanismo responsável por induzir o aumento da sod pode estar relacionado ao grau de ativação da enzima como fator de neuroproteção e a indução no aumento de fatores neurotróficos cerebrais o que vai ao encontro de estudos realizados. A diminuição do comportamento exploratório está de acordo com as alterações que o estresse causa nos animais, deixando-os mais ansiosos e menos ativos. Orgão de Fomento: CNPq

Palavras-chave


estresse oxidativo, clomipramina, estresse repetido, comportamento exploratório

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