Avaliação Da Interferência Do Tamanho Amostral Na Estimativa Da Riqueza AlÉlica Em Populações De Plantas

Leonardo Severo Da Costa, Nathana Da Silva Corneleo, Valdir Marcos Stefenon

Resumo


Introdução: Estudos de diversidade genética em populações de plantas têm sido considerados altamente dependentes do tamanho amostral. Alguns parâmetros são utilizados para estimar a diversidade genética, como o número médio de alelos na população (Ar) e heterozigosidade esperada (He). No entanto, esses parâmetros são altamente influenciados pela deriva genética, pelo fato dos alelos raros (com freqüência inferior a 0,05) não serem retidos em pequenas amostras. Contudo, diferenças na estrutura populacional e reprodutiva também interferem diretamente nas estimativas. Este trabalho objetivou avaliar a interferência do tamanho amostral em estudos de riqueza alélica em populações de plantas. Material e Métodos: Foram criados modelos computacionais simplificados de populações de plantas, representando sistemas relativamente complexos, referente a processos concretos que não podem ser submetidos a experimentação direta.Foram gerados quatro modelos de populações com características estruturais e reprodutivas distintas (indivíduos dióicos/monóicos, cruzamentos completamente aleatórios ou com endogamia). As modelagens, desenvolvidas pelo software EASYPOP, foram constituídas por populações com 200.000 indivíduos, taxa de mutação igual a 0,003 mutações/lócus/geração, modelo de mutação SMM, informações para 10 locos com máximo de 40 alelos/loco. Cada população foi submetida a 20 gerações de cruzamentos (com/sem endogamia) e analisaram-se as estimativas da última geração. Para cada população amostrou-se aleatoriamente sub-sets com 50, 100, 500 ou 1000 indivíduos (100 repetições para cada sub-set). O programa FSTAT foi utilizado para a estimativa da riqueza alélica da população total e sub-sets. Resultados e Discussão: Em todas as modelagens, a população total (200.000 indivíduos) expressou valores médios de Ar=40. As estimativas para as populações de indivíduos dióicos com cruzamentos aleatórios e indivíduos monóicos com baixo coeficiente de endogamia (0,1), no sub-set de 50 indivíduos a média ficou pouco abaixo do valor esperado (Ar=37). No entanto, nas populações de plantas monóicas com alto coeficiente de endogamia, 0,5 e 0,8, constatou-se uma perda significativamente alta de alelos, Ar=35 e Ar=33, respectivamente. No sub-set com 100 indivíduos, a perda de alelos somente foi verificada na população com alta taxa de cruzamentos endogâmicos (80%) com Ar=38,8. Os sub-sets com 500 e 1000 indivíduos apresentaram o valor real da riqueza alélica estimado, Ar=40. Estudos clássicos têm sugerido a perda de alelos em populações endogâmicas. Contudo, em estudos sobre diversidade genética, o efeito da amostragem se mostra como fator determinante na estimativa de Ar, como demonstrado no sub-set de 50 e 100 indivíduos da população endogâmica 0,8. Conclusões: Considerando que a perda de alelos raros pode acarretar redução na adaptabilidade das espécies bem como na resposta a adversidades ambientais, é indispensável efetuar uma amostragem significativa, maximizando a eficiência de programas tanto de conservação quanto de melhoramento genético. Dessa forma, os resultados obtidos sugerem que amostragens pequenas podem resultar em subestimativas da real riqueza alélica de uma população, fato que pode induzir a um planejamento errôneo tanto visando conservação como melhoramento genético. Por outro lado, amostras de ao menos 1/400 indivíduos da população total tendem a expressar a real riqueza alélica encontrada na população. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Diversidade genética, Amostragem, Simulação, Heterozigosidade

Apontamentos

  • Não há apontamentos.