Mortalidade De Vertebrados Em Uma Rodovia No Pampa Brasileiro

Guilherme Garcez Cunha, Paulo Afonso Hartmann

Resumo


Introdução: As estradas estão entre as alterações ambientais que causaram impactos mais extensos em paisagens naturais. Seus efeitos ecológicos não se restringem à estrada, mas estendem-se pela paisagem, gerando impactos físicos, como erosão e alteração da hidrologia local; químicos, como dispersão de poluentes; e biológicos, como destruição de ambientes naturais, efeito de barreira e atropelamentos. Nas últimas décadas vários estudos tem apresentado diferentes impactos das rodovias nas comunidades de vertebrados, desde a perda e fragmentação de habitat até morte por atropelamento. Preocupações com impactos causados por atropelamentos nas estradas têm sido foco de pesquisadores em muitos países, no Brasil esta linha ainda é recente. O principal objetivo deste estudo é estimar a perda de fauna de vertebrados terrestres por atropelamento em uma rodovia no Pampa Brasileiro e relacionar com a ecologia das espécies. Material e Métodos: O estudo esta sendo desenvolvido em um trecho de 12 km na BR-290 (30º18’S; 54º24’O), distante cerca de oito km do centro urbano do município de São Gabriel, Rio Grande do Sul. O trecho é percorrido de carro com velocidade média entre 50 à 60 Km/h. Até o momento foram realizadas 20 amostragens, ocorrendo duas vezes na semana com intervalos de no mínimo dois dias e no máximo quatro dias entre as mesmas. Cada espécime encontrado atropelado foi fotografado e registrada a espécie (no menor nível taxonômico possível), a data, o local e o tipo de vegetação na margem. Espécimes em melhor estado de conservação foram coletados e tombados na coleção da Universidade Federal do Pampa, Campus São Gabriel. Indivíduos não coletados foram retirados da pista ou acostamento, para não acarretar em duplicação dos dados. Resultados e Discussão: Até o momento foram encontrados 64 animais atropelados, sendo 36 mamíferos (56,25%), 21 aves (32.81%), cinco répteis (7,81%), um anfíbio (1,57%) e um não identificado (1,57%). Ao todo foram identificadas 19 espécies, sendo oito de mamíferos, sete de aves, três de serpentes, uma de anfíbio. Doze indivíduos não foram identificados ao nível específico. As espécies com maior número de atropelamentos (N ≥ 10) foram perdiz, Nothura maculosa (N = 12) e zorrilho, Conepatus chiga (N = 11). Em todos os km amostrados foram encontrados pelo menos dois animais atropelados. A fauna encontrada atropelada é composta principalmente por espécies de ampla distribuição geográfica, e capazes de ocupar ambientes alterados pelo homem. Os dados preliminares indicam que as espécies mais frequentemente encontradas são de grande capacidade de deslocamento, plasticidade no uso do substrato e com períodos de atividade mais prolongados. Populações de perdiz podem apresentar alta taxa de atropelamentos pelo fato desta espécie aproximar-se da rodovia em busca de recurso alimentar, principalmente grãos caídos de caminhões que transportam a safra. O zorrilho possui grande capacidade de deslocamento e possivelmente rodovias não representam uma barreira deslocamento desses animais, o que pode aumentar o risco de atropelamento. Conclusões: Estas espécies podem estar com populações reduzidas ou experimentar redução populacional no futuro, em função do efeito cumulativo da mortalidade nas estradas. A distribuição relativamente homogênea dos atropelamentos indica o elevado grau de impacto causado pela rodovia as populações presentes no local da área de estudo. Orgão de Fomento: CNPq

Palavras-chave


Rodovias, Atropelamentos, Vertebrados, Pampa, Mortalidade

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