Prevalência De Hidatidose Em Rebanhos Ovinos Na Região Sul Do Rio Grande Do Sul E Fronteiras Com Uruguai E Argentina

Lauren Valiente De Freitas, Greici Cortez Sawitzki, Thiago Pereira Vieira, Larissa Picada Brum

Resumo


Introdução: No estado do Rio Grande Sul (RS), Brasil, principalmente nas regiões de fronteira Uruguai e Argentina, como a campanha gaúcha, fronteira oeste e sul, a hidatidose possui alta prevalência constituindo-se como uma das zoonoses parasitárias de maior importância, por se caracterizar endêmica no estado. Esta zoonose é transmitida aos humanos por ingestão de formas infectivas do parasita, que podem ser encontradas em vísceras de ovinos e bovinos, ingestão de ovos em alimentos contaminados, mas principalmente pelo contato com cães infectados com a tênia Echinococcus granulosus, principal hospedeiro definitivo. Dados recentes sobre a ocorrência de hidatidose em ovinos no RS demonstraram prevalência de 30,2% em municípios de fronteira no ano de 2004. Na Argentina, a prevalência de casos de hidatidose desde o ano de 1979 até 1997, vem declinando de 61% a 5,5% em ovinos abatidos no país. Resultados da prevalência da hidatidose em ovinos no Uruguai no ano de 1990 revelaram números de 44,7% de cistos hidáticos, no ano de 2002 os dados de prevalência demonstram queda progressiva revelando números de 3,9% de casos em ovinos. Considerando a importância de dados sobre os índices de hidatidose na região desenvolveu-se o presente trabalho o qual teve por objetivo identificar os principais municípios próximos a fronteira do RS com Uruguai e Argentina fornecedoras de ovinos para abate, em um frigorífico situado em Dom Pedrito os quais apresentaram maior prevalência de cistos hidáticos a partir de dados coletados no período de 2006 a junho de 2009, sujeitos à Inspeção Federal. Material e Métodos: Foram utilizadas planilhas de dados fornecidas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do frigorífico referido. Resultados e Discussão: Nesse período foram abatidos 215.528 animais, que apresentaram a frequência de 19,8% de cistos hidáticos. Entre os principais municípios que foram encontradas os maiores índices de ocorrência de ovinos com cistos hidáticos, destacam-se de Rosário do Sul (33,11%), Bagé (31,69%), Lavras do Sul (27,05%), Dom Pedrito (26,68%) e Aceguá (25,55%) entre outros. Quando se comparou a frequência de cisto hidáticos, em diferentes categorias de animais, verificou-se que a prevalência em cordeiro (a), borrego e capão/ovelha foi de 17%, 12,47% e 26,17%, respectivamente. Os dados demonstram a atual ocorrência endêmica de hidatidose nos principais municípios fornecedores de ovinos para esse estabelecimento. Esses dados podem ser atribuídos a essas regiões serem as maiores produtoras de ovinos do estado do RS, onde historicamente cães domésticos são alimentados com vísceras cruas de animais infectados, a falta de programas atuais de educação sanitária para população e ausência de programas de combate e controle do parasita no seu hospedeiro definitivo. Países como Argentina e Uruguai, que possuíam alta prevalência de hidatidose, vêm demonstrando queda nos índices desta zoonose devido aos seus programas preventivos com a população e controle da tênia, já que a frequência de cistos hidáticos pode ser diretamente relacionada com a prevalência da equinococose em cães de determinada região. Conclusões: Devido ao caráter ciclozoonótico, risco a saúde publica, prejuízo econômico à produção de ovinos e bovinos causados pela hidatidose, torna-se indispensável a realização de programas que visem prevenção e o controle e da hidatidose na região. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Hidatidose, Ovinos, Prevalência, Municípios da Fronteira

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