Utilização Comparativa De Levamisol Com à Moxidectina Em Relação A Contagem De Números De Ovos Por Gramas De Fezes Em Ovinos

Pablo Tavares Costa, Márcio André Peres Maciel, Larissa Picada Brum, Gilson De Mendonça

Resumo


Introdução: Em condições naturais, antes da domesticação, o equilíbrio entre parasitas e hospedeiros permitia a tolerância dos animais a essa enfermidade. Com a domesticação e aumento no número de animais por área, alterou-se o equilíbrio em favor dos parasitas, fazendo com que a verminose se tornasse um dos principais problemas na criação de ovinos. O controle de helmintos é usualmente realizado por meio de aplicação de anti-helmínticos, no entanto, o crescente problema da resistência dos parasitos a estes fármacos tem limitado os níveis produtivos da ovinocultura. O objetivo deste trabalho foi avaliar a redução na contagem de ovos nas fezes de acordo com o anti-helmíntico utilizado, comparando o levamisol com à moxidectina, para detectar possível foco de resistência parasitária aos medicamentos, que historicamente eram utilizados nas propriedades. Material e Métodos: O presente estudo está sendo realizado em duas criações de ovinos localizadas nos municípios de Pinheiro Machado e Santana do Livramento, onde se selecionou ao acaso 100 ovinos adultos do sexo feminino de cada propriedade, divididos em dois grupos de 50 animais, ambos submetidos à sistemas extensivos de criação em campo nativo. Em cada propriedade um dos grupos vem sendo tratado com levamisol 5% (5 mg/cloridrato de levamisol/kg), e outro com moxidectina 0,2% (0,2 mg/moxidectina/kg), ambos administrados por via oral. Amostras fecais são colhidas diretamente da ampola retal de 10% dos animais para avaliação pré-tratamento (dia zero) e pós-tratamento anti-helmíntico (7º, 21º, 42º e 80º dia) para contagem do número de ovos por grama de fezes (opg) pela técnica de Gordon & Whitlock (1939) modificada. Para identificar as larvas de nematódeos gastrintestinais infectantes foi realizado exame de coprocultura sempre que os ovinos atingiram opg superior a 500 ovos. Resultados e Discussão: Os dois rebanhos avaliados apresentaram percentual de redução de opg após o tratamento igual a 100%, em ambos os grupos. No entanto, a partir da 3ª coleta (21º dia), os dois grupos tratados com moxidectina apresentaram uma maior infestação. Os animais tratados com levamisol tiveram uma gradual elevação no número de opg no decorrer das dosificações, no entanto até o 80º dia após o tratamento a infestação encontrava-se em níveis baixos, dispensando novas dosificações, evitando tratamento anti-helmintico excessivo, prevenindo a ocorrência de resistência nos rebanhos. Os grupos tratados com moxidectina, embora tenham apresentado 100% de eficácia na redução da infestação até o 7º dia, apresentaram uma elevação superior do número de opg, atingindo limite recomendável para nova dosagem, em um intervalo de tempo inferior se comparado ao levamisol. Na coprocultura o gênero Haemonchus spp foi o mais prevalente nas culturas de ambos os medicamentos. Esse resultado está de acordo com levantamentos feitos na região sul do Brasil e América Latina. A utilização comparativa de ambos os anti-helmínticos indica que esses foram eficientes na eliminação de nematódeos gastrintestinais, demonstrando ausência de resistência antiparasitária nas propriedades estudadas. Porém, embora a moxidectina possa apresentar um efeito residual maior, de até 60-75 dias, o levamisol apresentou um efeito persistente mais longo, o que permitiu reduzir o número de dosificações até o momento, provavelmente por seu efeito modulador do sistema imune. Conclusões: A partir desses resultados e de posteriores estudos pretende-se avaliar a eficiência de utilização da moxidectina e levamisol na região. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


ovinos, resistência parasitária, levamisol, moxidectina

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