Apadrinhamento Afetivo Na Cidade Do Rio Grande

Juliana Sonego Goulart, Mariana Kuhn Massot Padilha, Tamara Santos De Souza, Simone Dos Santos Paludo

Resumo


Introdução: O abandono social e afetivo que vivenciam muitas crianças institucionalizadas é considerado um fator de risco para o desenvolvimento. Embora a instituição de abrigo se caracterize como uma medida excepcional e temporária o tempo de permanência nesse contexto acaba por fragilizar as interações familiares. Quando esgotadas as chances de retorno para a família de origem e as possibilidades de adoção são remotas ou inexistentes, novas alternativas de cuidado e de convivência familiar são oferecidas a essa população. Nesse contexto, emerge o Programa de Apadrinhamento Afetivo. A cidade do Rio Grande está engajada nessa iniciativa desde o ano de 2002, sendo que foram realizadas quatro edições do evento até o momento. Material e Métodos: O presente estudo teve como objetivo avaliar a efetividade desse Programa no município, bem como identificar o seu significado na vida de crianças e adolescentes abrigados. Para tal, foi realizada uma busca documental e entrevistas com os afilhados. Resultados e Discussão: Dentre os principais resultados, destaca-se que 46 apadrinhamentos efetivaram-se nas quatro edições do Programa, mas apenas 25 afilhados continuam mantendo vínculos com seus padrinhos. Esse dado representa uma real efetividade de 54% dos casos. Por outro lado, 46% dos apadrinhamentos não obtiveram sucesso devido a uma série de fatores como desistências e retorno da criança para a família de origem. Os 25 afilhados entrevistados são na maioria crianças (64%) com até 12 anos incompletos (M=8; dp=1,75), sendo 56% do sexo feminino e 44% do sexo masculino. Já os adolescentes compõem 36% da amostra e possuem idades entre 12 anos completos e 18 anos (M=14; dp=2,42), sendo 67% do sexo feminino e 33% do sexo masculino. Dos afilhados, 44% participam do Programa há um ano, 40% tem um padrinho/madrinha desde o ano de 2007 e 16% desde 2002. A maioria dos afilhados (54%) afirmou não saber o que significa o programa, 34% afirmou saber e 8% não respondeu. Embora a maioria desconheça os objetivos 92% gosta de participar do programa e 82% afirma gostar de tudo que padrinho/madrinha propicia. O contato acontece mais frequentemente no final de semana (48%). Conclusões: Os resultados indicam a falta de esclarecimento dos afilhados acerca do programa e pouco comprometimento dos padrinhos com os vínculos afetivos construídos. É importante, portanto, pensar em alternativas para que o apadrinhamento afetivo seja, efetivamente, um garantidor da convivência familiar e comunitária a todas as crianças e adolescentes que dele participam. Orgão de Fomento: PROBIC/FURG

Palavras-chave


apadrinhamento afetivo, tempo, crianças institucionalizadas

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