Identidades Étnicas E Raciais: Reflexões NecessÁrias Na Utilização Dos Livros DidÁticos De História

Dalila Da Rocha Guths, Andiara Valderez Lucas Pinheiro, Regina Célia Do Couto

Resumo


Introdução: Este trabalho socializa uma experiência investigativa empreendida no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Pampa/Jaguarão na disciplina Teorias Curriculares. Nesta disciplina, objetivávamos compreender as diferentes visões que os estudiosos apresentam sobre currículos contrapondo-as à realidade escolar da cidade de Jaguarão. Promovemos, então, reflexões acerca das perspectivas curriculares críticas e pós-críticas e analisamos como historicamente os currículos contribuíram e contribuem para determinar relações de raça e etnia. Questionamos principalmente, o que faz, o que é, e de quais conhecimentos sobre raça e etnia estão incluídos nos currículos escolares da referida cidade. Objetivávamos levantar a discussão sobre a identidade do sujeito afro-gaúcho através dos estudos sobre as diferenças étnico-raciais. Para tanto, buscamos no cotidiano das escolas públicas, indícios de como os temas “raça e etnia” estão representados nos currículos, bem como, nas comemorações da semana farroupilha Material e Métodos: Para este trabalho analisamos o currículo escolar, livros didáticos, para compreender como é representado o negro nas imagens destes livros; e analisamos as festividades da semana farroupilha nas escolas de Jaguarão. Posteriormente, os resultados foram apresentados em seminário temático o que resultou neste trabalho que agora compartilhamos. Resultados e Discussão: Verificamos que nos currículos há pouca valorização dos negros, das suas histórias, memórias, conquistas, lutas. Geralmente sua imagem é omitida, mostrada de forma negativa e quase sempre associada a profissões consideradas de pouco prestígio. Os livros didáticos baseiam-se principalmente nas contribuições das culturas européias e percebemos que não há sequer a menção sobre o papel dos afro-brasileiros na revolução farroupilha e na construção da História do Rio Grande do Sul. Também, estes se encontram a margem das festividades tradicionalistas gaúchas deste local. Cabe salientar que mesmo após a lei 10.639/2003, que institui diretrizes para a educação das relações étnico-raciais, contribuições culturais, políticas, destes grupos continuam sendo tratadas de maneira pouco representativa. Constatamos que a manutenção desse tipo de tratamento às questões étnicas e raciais, muitas vezes, esconde a dívida histórica que temos com os afro-brasileiros. Como no passado, grupos étnicos – em especial os afros descendentes, onde residiu nosso foco de estudo – ainda sofrem com racismos disfarçados. Conclusões: Concluímos que é necessário o estudo da Lei 10.639/2003. Também gostaríamos de chamar atenção para o movimento que todas as disciplinas têm que fazer em direção às discussões étnicas e raciais, construindo, desta forma, uma outra escrita da história afro afrodescendente, não apenas como alternativa para a afirmação da identidade étnica e racial, mas também, como um projeto que vise transformar tais relações nestes locais. Com relação aos livros didáticos, destacamos que seus textos podem acontecer de outra forma, ou seja, por mais que o discurso do livro desconsidere as histórias dos negros nas tradições gaúchas e em outras situações, os professores têm em suas mãos a possibilidade de trazer outras histórias, carregadas, também, das vitórias negras, das experiências, bem como das trajetórias políticas e culturais. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Grupos étnicos, Livro didático, Currículo escolar

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