Fatores Estressores E Incidência Da SÍndrome De Burnout Em Professores Da Educação BÁsica De Uruguaiana

Leonardo Simões Zilch, Flavia Gracielli Rodrigues Da Fontoura, Rudi Albino Hermann

Resumo


Introdução: O exercício profissional do professor tem sofrido transformações profundas nos últimos tempos. Sua atividade foi se complexificando de forma que novas exigências foram inseridas no cotidiano do seu fazer pedagógico. Merazzi (1983, apud CARLOTTO, 2002) acredita que as mudanças no papel do professores estejam ligadas a três fatos fundamentais: 1º) a evolução e a transformação dos agentes tradicionais de socialização; 2º) papel tradicionalmente designado às instituições escolares viu-se seriamente modificado pelo aparecimento de novos agentes de socialização e 3º) o conflito que se instaura nas instituições quando se pretende definir qual é a função do professor. Como podemos ver, no exercício profissional da atividade docente, encontram-se presentes diversos fatores indutores de estresse psicossociais, alguns vinculados à natureza das funções docentes, outros relacionados à cultura organizacional ou ao contexto social onde estas são exercidas. Estes fatores, quando persistem durante tempos mais longos, podem levar à Síndrome de Burnout. É um construto formado por três dimensões relacionadas, mas independentes, exaustão emocional, despersonalização e baixa realização no trabalho. Esta pesquisa procura verificar em que medida os professores que atuam em Uruguaiana, são afetados pela síndrome de burnout e analisar a associação da síndrome com fatores estressores. Material e Métodos: A presente pesquisa utiliza metodologia basicamente quantitativa, de cunho descritivo. Para coleta de dados foi utilizado um instrumento, MBI – Maslach Burnout Inventory, com questões fechadas, assinaladas, ou pelo entrevistador ou pelo próprio respondente. O MBI – Maslach Burnout Inventory, é consenso entre a maioria dos investigadores na comunidade científica internacional com relação à definição, avaliação e modelo teórico de Burnout. A parte do questionário que levanta a opinião dos professores a respeito dos fatores estressores é uma adaptação de (Wagner, 2004; Pedrabissi, Rolland e Santinello, 1993; Zero Hora, 2009 – O X da educação). A amostra de professores da educação básica foi de 380 professores, número calculado através de fórmula estatística para atingir um índice de confiabilidade de 95% e uma margem de erro de 5%. Resultados e Discussão: Dados preliminares mostram que a maioria dos professores de Uruguaiana está com algum nível de desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Os dados apontam a exaustão emocional como a dimensão da síndrome que mais afeta professores, seguido despersonalização. Quanto aos fatores estressores há indicativos de que estejam associados ao desenvolvimento da síndrome: políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina; a desconstituição da autoridade do professor; carga horária excessiva; baixo status; resultados frustrantes; exigências de tempo e de esforço mental. Podemos considerar que a Síndrome de Burnout está apontando para um processo de subtração da profissionalização do trabalho do professor, o que induz à proletarização e à desvalorização da ação docente. Conclusões: Preliminarmente pode-se afirmar que a grande maioria dos professores que atuam em Uruguaiana são afetados por uma ou mais das três dimensões que compõem a Síndrome de Burnout. Há indicações de que a síndrome esteja associada aos seguintes fatores estressores: políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina; a desconstituição da autoridade do professor; carga horária excessiva; baixo status; resultados frustrantes; exigências de tempo e de esforço mental, entre outros. Orgão de Fomento: PUCRS Campus Uruguaiana

Palavras-chave


Burnout, Desistência, Estresse

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