Uma EstratÉgia Curricular: Reflexões Para Uma Aprendizagem Significativa

Karen Cavalcanti Tauceda, José Cláudio Del Pino

Resumo


Introdução: Estudos na área de psicologia cognitiva confirmam que as pessoas não aprendem o mundo diretamente, e sim a partir de representações deste mundo construídas em suas mentes. Esta afirmação conduz a um entendimento de que os alunos não são acumuladores de informação transmitida pelo professor, mas sim construtores ativos de seu conhecimento. As informações novas que o aluno recebe, interagem com seu conhecimento prévio, e o resultado desta interação são os novos significados, isto é, a aprendizagem significativa. Este trabalho tem como objetivo discutir a importância de desenvolver estratégias curriculares que valorizem os conhecimentos prévios dos alunos no processo de construção de novos conhecimentos científicos, em uma abordagem da aprendizagem significativa de Ausubel. Material e Métodos: Foram analisadas 240 representações pictóricas (desenhos) de alunos do 1º ano do ensino médio, em uma escola pública de Porto Alegre (Escola Estadual Parobé), no ano de 2007, na disciplina de biologia, onde estes desenhos continham os conhecimentos construídos pelos alunos (após intenso debate com o professor), sobre conceitos científicos de bioquímica e biofísica celular. Para identificarmos a aprendizagem significativa, foi desenvolvida uma categorização indutiva de acordo com Otero et al. (2003). As categorias identificavam aspectos da elaboração de um pensamento complexo (com relações e contexto), de acordo com o referencial teórico de Ausubel. A estratégia curricular pesquisada foi a utilização das figuras (com as legendas) do livro didático, por um grupo de alunos, durante o processo de elaboração dos conhecimentos biológicos. Resultados e Discussão: O grupo que não utilizou as figuras do livro didático apresentou uma evolução conceitual significativa (maior frequência de desenhos nas categorias que indicavam uma aprendizagem significativa), se comparada com a evolução conceitual observada no grupo que utilizou as figuras do livro didático. A evolução conceitual foi identificada ao analisarmos os desenhos com as concepções prévias (pré-teste) dos alunos e os desenhos após a discussão dos conceitos científicos com o professor (pós-teste). Comparando a aprendizagem significativa evidenciada nos dois grupos (pós-teste), os alunos que não utilizaram as figuras do livro didático mostraram uma aprendizagem mais significativa na construção dos conceitos biológicos estudados. Diversos autores também identificaram problemas na elaboração de uma aprendizagem que identifique compreensão dos conceitos estudados quando o livro didático é utilizado de maneira sistemática e acrítica pelo professor. Palmero (2003) identificou em seu estudo com desenhos de células, que os alunos ao trabalharem com as figuras do livro didático diminuíam significativamente sua criatividade na confecção de seus próprios desenhos, pois apresentavam grande similaridade com as figuras do livro didático. Conclusões: Podemos concluir que é necessária uma reflexão por parte dos professores de suas práticas pedagógicas, como por exemplo, a utilização do livro didático. Ao analisar suas estratégias curriculares o professor identifica suas concepções filosóficas, pedagógicas e epistemológicas podendo redirecionar o seu caminho. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Aprendizagem significativa, Currículo, Livro didático, Ensino em biologia

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