Dor MusculoesquelÉtica E Capacidade Para O Trabalho Em Uma Equipe De Enfermagem De Pronto-socorro

Natieli Cavalheiro Viero, Tânia Solange Bosi De Souza Magnago, Francine Prestes Cassol, Patrícia Bitencourt Toscani, Camila De Brum Scalcon

Resumo


Introdução: A realidade do trabalho em unidade de pronto-socorro tem sido de superlotação, ritmo acelerado e sobrecarga aos profissionais. Tais aspectos, aliados a tensão constante, precariedade de recursos humanos e materiais podem contribuir para o adoecimento e diminuição da capacidade funcional dos trabalhadores. Dentre as causas de afastamento do trabalho, os distúrbios musculoesqueléticos ganham proporção cada vez maior em trabalhadores dessas unidades. A avaliação da capacidade para o trabalho, por meio do Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT), tornou-se um importante indicador por abarcar aspectos relativos à saúde física, bem estar psicossocial, competência individual e condições de trabalho. Este estudo teve por objetivo avaliar o índice de capacidade para o trabalho da equipe de enfermagem de um pronto-socorro. Material e Métodos: Estudo transversal que envolve 636 trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário público do RS. A pesquisa se encontra na fase de coleta de dados. Por conseguinte, os dados apresentados compõem 9,6% (61) da população de estudo. O instrumento é um questionário auto-aplicável, durante o turno de trabalho. Avaliou-se o Índice de Capacidade para o Trabalho (variável dependente) e variáveis sociodemográficas, laborais, dor musculoesquelética (variáveis independentes) e uso de medicação. Para formação do banco de dados utilizou-se o programa Epiinfo versão 6.04. O projeto foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa institucional. Resultados e Discussão: A amostra foi composta por enfermeiros (36%) e técnicos/auxiliares de enfermagem (64%). A maioria era casado (73,8%); raça branca (83,6%); faixa etária de 31 a 50 anos (72%); renda familiar de oito salários mínimos (19,7%) e uma média de três dependentes (29%). Trabalham predominantemente no noturno (41%); com carga horária de 36 horas/semanais; de dois a 10 anos no setor (72,1%) e na função (57,4%). Com relação a possuir outro emprego, 32,8% responderam afirmativamente. Para estes, a carga horária semanal recebe um acréscimo de mais 20 a 40 horas (85%). No que tange ao grau de dor musculoesquelética, nos últimos sete dias, 16,4% referiram ausência de dor (escore=zero); 14,8% dor fraca (escore de 1 a 3); 54,1% dor forte (escore de 4 a 7) e 14,7% dor muito forte (escore de 8 a 10). A maioria dos trabalhadores faz uso de medicação (65,6%). Desses, 72,5% usam por indicação médica, os demais por conta própria. O ICT variou de baixo (3,3%); moderado (37,7%); bom (44,3%) e ótimo (14,7%). Os dados evidenciam percentuais importantes tanto de intensidade forte a muito forte dor musculoesquelética (68,8%), quanto de diminuição da capacidade para o trabalho (41%) nos trabalhadores de enfermagem pesquisados. Como a dor e a incapacidade são elementos centrais do sofrimento e de exclusão social do trabalhador, implicando em mudanças nas suas relações com o trabalho e com sua vida cotidiana, a contribuição do ICT no estudo se dá pelo seu valor preditivo para invalidez e saúde/doença na equipe pesquisada. Conclusões: Conclui-se que os resultados desta pesquisa, embora parciais, assinalam para a importância da instituição adotar medidas de apoio direcionadas aos trabalhadores com baixa capacidade para o trabalho, pois uma grande proporção desses trabalhadores pode tornar-se incapacitada para as atividades laborais em poucos anos, se tais medidas não forem adequadamente tomadas. Cabe, ainda, salientar que as atividades para manter a capacidade para o trabalho requerem a cooperação de todas as partes envolvidas. Orgão de Fomento: FIPE/UFSM

Palavras-chave


Enfermagem, Saúde do trabalhador, Riscos ocupacionais, Serviços de emergência, Capacidade para o trabalho

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