Enfrentamento Em Grupos De Apoio Para Familiares De Adictos

Vilma Constancia Fioravante Dos Santos, Luiz Antonio Fernandes Filho, Aline Basso, Naiana Oliveira Dos Santos, Beatriz Franchini

Resumo


Introdução: A drogadição vem se configurando alarmantemente como um problema de saúde pública, tendo relação comprovada entre o consumo e agravos sociais que dele decorrem ou que o reforçam (BRASIL, 2003). Dispensam-se onerosos custos com tratamento, anos de vida trocados por dor e sofrimento, forte impacto no indivíduo e em sua família. Denotando assim, a necessidade de novos espaços terapêuticos onde permite-se um proveitoso intercambio de pensamentos a partir da solidariedade. Este estudo consiste num Relato de Experiência vivenciada com Grupos de Familiares de usuários de drogas, realizado no CAPS II (Centro de Atenção Psicossocial) de Uruguaiana/RS. Tem-se por objetivos identificar os motivos de procura pelo Grupo; descrever as formas de enfrentamento dos familiares diante da dependência química de seus parentes; observar as similaridades nas histórias de vida relatadas durante os grupos. Material e Métodos: O presente estudo é de natureza qualitativa, exploratória do tipo observação participante. A coleta de dados foi realizada durante o acompanhamento das atividades de rotina no CAPS. Os dados coletados foram registrados em diário de campo e discutidos à luz da teoria. O exercício da observação participante ocorreu no mês de junho de 2009. Resultados e Discussão: Observou-se que a participação dos familiares no Grupo se dá de forma obrigatória e quando já há cronicidade da adicção dos usuários. Percebeu-se também, a partir dos relatos dos familiares, que, em sua maioria, os dependentes já estão em uso de Crack, uma epidemia na região da fronteira oeste do estado. A participação no Grupo é condicionante para que o usuário seja encaminhado a uma Fazenda Terapêutica, sendo que há pouca procura espontânea ou para fins de debates em torno de questões relacionadas a novas alternativas acompanhamento. Identificou-se que, mesmo percebendo ao longo do tempo as alterações de seus parentes, os familiares dos adictos demoram a procurar ajuda, sempre na expectativa de superação do problema ou por negação do mesmo. Dentre os achados, percebeu-se que havia similaridades entre os relatos de cada familiar principalmente com relação às estratégias defensivas desenvolvidas para lidar com a realidade da adicção como a negação, transferência de responsabilidades, entre outros. Conclusões: Em gregária, os familiares dos adictos deixam de lado as barreiras de convivência e abrem caminho para trocas conseguindo assim, ver no outro situações que eles mesmos já vivenciaram e tentam encontrar formas de enfrentamento à adicção mais sadias. Apesar de grande importância no enfrentamento da dependência química, reconheceu-se a limitação do grupo de apoio no que se refere à procura pelo mesmo, pois esta se deu mais no intuito de inibir as conseqüências da adicção do que para prevenir a dependência química. Admite-se fazer como reflexão final a importância do incentivo à formação de grupos de apoio em serviços de saúde e a integração de acadêmicos neste espaço de aprendizagem e cuidado. Com o presente estudo, não teve-se a pretensão de esgotar o assunto, mas sim refletir acerca de um novo instrumento terapêutico na área da saúde. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Caps, Saúde Mental, Grupos de Apoio, Dependência Química, Enfrentamento

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