O Uso De Modelos Tridimensionais No Ensino De Zoologia Na Universidade Federal Do Pampa, Campus São Gabriel, Rs, Brasil

José Ricardo Inacio Ribeiro, Leonan Guerra, Ana Maria Rigon Bolzan, Melise Lucas Silveira

Resumo


Introdução: A compreensão de muitos aspectos da Zoologia, pelo menos aqueles que se referem ao estudo mais detalhado da morfologia interna de muitos grupos de animais invertebrados, depende fortemente de se ter uma boa idéia espacial da disposição das estruturas estudadas. Os artefatos de preparação histológica e as peças disponíveis para estudo de morfologia em muitas universidades são difíceis de serem visualizados, devido aos seus pequenos tamanhos e à difícil tarefa de entendê-las num contexto espacial diferente daquele de duas dimensões. O aprendizado muitas vezes deficiente acontece a partir de uma relação entre a dissertação oral do docente ou escrita de um livro didático e a imagem de difícil visualização do funcionamento complexo das estruturas estudadas pelo discente. A construção de modelos tridimensionais que retratem a disposição espacial e o tamanho relativo de estruturas anatômicas internas de animais invertebrados, o mais próximo possível do que se é concebido pela maioria dos mais importantes autores desse assunto, pode melhorar o aprendizado e facilitar o acesso dos discentes ao entendimento geral dessa disciplina. Material e Métodos: Com material de baixo custo, foram construídos nove modelos tridimensionais divididos em dois grupos: o primeiro referindo-se ao estudo de aspectos mais gerais da Zoologia (início da formação de celoma na gástrula, tipos de celoma em Echinodermata e cortes transversais comparativos de um artrópode e um anelídeo generalizados); e o segundo, referindo-se a subáreas mais específicas, como a Entomologia (morfologia interna de baratas e percevejos). Para a construção dos modelos, foram utilizados livros-textos como referências. O processo de manufatura foi constituído pela homogeneização de sabonete ralado, cola e polvilho-doce até a obtenção de uma mistura consistente e plástica, a partir da associação de argila hidratada com materiais agregadores, formando-se modelos com ótima resistência após secagem. As estruturas internas indicadas nos modelos foram destacadas em cores específicas para facilitar a visualização. Resultados e Discussão: O uso de modelos facilitou a compreensão de estruturas de mais difícil visualização, destacou processos, bem como indicou suas relações espaciais com outras estruturas e suas funções correlacionadas. Foram realizadas, ainda, pequenas correções numa ilustração referente ao corte transversal de um artrópode generalizado que indicava erradamente o posicionamento espacial do cordão nervoso ventral. As correções refletiram-se no modelo. A confecção dos modelos promoveu, ainda, um rápido e eficiente aprendizado do discente que se comprometeu em confeccioná-los, porque sempre foi necessário apoio teórico e técnico do docente, além de ter de pesquisar constantemente referências disponíveis para que a confecção se tornasse fidedigna ao modelo proposto. Conclusões: Os modelos tridimensionais preencheram, assim, o espaço entre a teoria e a prática, permitindo uma relação analítica indutiva da realidade. O uso desses modelos, aqui sugeridos, poderá resolver ou minimizar a falta de recursos didáticos especialmente preparados para aulas teóricas e práticas de Zoologia. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


didática, morfologia, figuras, esquemas

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