Efeito Dos Adsorventes Sobre O Desempenho De Juvenis De JundiÁ (rhamdia Quelen) Alimentados Com Dietas Contaminadas Com Aflatoxinas

Fernando Dutra Brignol, Mara Severo Dall'astta, Natalia Espírito Santo, Paulo Rodinei Soares Lopes

Resumo


Introdução: O cultivo do jundiá (Rhamdia quelen) vem crescendo progressivamente no sul do Brasil, sendo uma espécie nativa de grande representatividade e interesse econômico. Na busca de uma melhor produção qualquer fator que afete negativamente, determina prejuízos econômicos. Desta forma, deve-se ressaltar a importância dos contaminantes naturais de rações, como as micotoxinas. Entre as mais comuns estão as aflatoxinas (AFs), que constituem um grupo de toxinas produzidas pelo fungo Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus. São extremamente tóxicas e cancerígenas e causam na alimentação animal recusa alimentar, piora na conversão alimentar, diminuição de ganho de peso, aumento na incidência de doenças devido imunossupressão e interferência na capacidade reprodutiva, e são responsáveis por grandes perdas econômicas. Uma das estratégias pra evitar micotoxicoses é o uso de adsorventes misturados a rações. O presente trabalho teve como objetivo testar diferentes níveis de aflatoxinas (AFs) e dois tipos de adsorvente aluminiosslicato de cálcio e sódio (ASSCA e Glucomanano (GM) em rações para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen), avaliando seu efeito no desempenho zootécnico. Material e Métodos: O trabalho foi conduzido no Laboratório de Ictiologia do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas, conduzido no período de outubro a dezembro de 2007, com duração de 60 dias. O experimento utilizou 189 juvenis de jundiá (Rhamdia quelen) com peso médio de 43,13 g. Sendo estocados os peixes em 27 caixas de polipropileno com capacidade de 250 L, num sistema de criação fechado e termo regulado com densidade de estocagem de sete alevinos por unidade experimental. A alimentação foi ministrada duas vezes ao dia, na proporção de 5% da biomassa. As dietas experimentais foram isoprotéicas e isocalóricas, contendo 35,2% de PB e 3444 kcal/ED kg-1. Foram arranjados nove (9) tratamentos com três níveis de inclusão de aflatoxinas na dieta (0, 50, 100 µgAFkg-1), com dois tipos de adsorvente (ASSCA e GM ambos com 0,3% de inclusão). As dietas foram preparadas no laboratório de Ictiologia do Departamento de Zootecnia e as aflatoxinas foram produzidas no LAMIC-UFSM de acordo com a metodologia apropriada, certificado pelo INMETRO e pelo MAPA. Aos os 60 dias experimentais, com jejum de 24 h, os peixes foram submetidos à biometria e pesagem visando obter as seguintes variáveis: - Peso médio final, crescimento (comprimento total e padrão), ganho de peso diário, biomassa, rendimento de carcaça, taxa de crescimento especifico e sobrevivência. Para a avaliação do rendimento de carcaça foi retirada uma amostra de 10 alevinos de cada tratamento no final do experimento. Também foram monitoradas diariamente (09:00 e as 16:00 h) os parâmetros da qualidade da água nas unidades experimentais (O2D, amônia total, alcalinidade, pH e temperatura). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três níveis de aflatoxinas, dois adsorventes distintos (ASSCA e GM), e três repetições. Resultados e Discussão: Os resultados foram submetidos à ANOVA, para comparação entre as médias o teste de Tukey (5%) e análise de contrastes. O pacote estatístico utilizado foi o SAS (1997). Conclusões: Conclui-se que os juvenis de jundiá, alimentados com aflatoxinas na dieta, são susceptíveis aos efeitos negativos, com grandes perdas no crescimento e ganho de peso. A adição de 0,3% de glucomanano na dieta neutralizou parcialmente os efeitos negativos das aflatoxinas. Orgão de Fomento: CNPQ e CAPES

Palavras-chave


micotoxinas, aluminosilicato, glucomanano, nutrição, crescimento

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