Produção De Serapilheira Em Dois Fragmentos De Floresta Estacional Semidecidual No Bioma Pampa

Renato Salvadé Petrarca, Leonardo Toso Salvatori, João Pablo Fabricio Mendes, Marlon Oliveira Silveira, Hamilton Luiz Munari Vogel

Resumo


Introdução: Nas florestas nativas, a principal via de circulação de nutrientes em florestas se dá pela queda e decomposição da serapilheira no solo. Os estudos envolvendo a dinâmica da serapilheira para o solo, permitem quantificar a devolução dos nutrientes ao longo dos meses do ano, sendo indispensável para o conhecimento do balanço nutricional em florestas (entrada e saída de nutrientes), fornecendo subsídios indispensáveis para o manejo e proteção destes ecossistemas. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo quantificar a serapilheira acumulada sobre o solo no interior de dois fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual. Material e Métodos: A presente pesquisa foi realizada em dois fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual nas seguintes regiões: 26 km do município de São Gabriel (30°14’49,5” S e 54°34’59,4” W), e a 6 km de Vila Nova do Sul (30°24’08,6” S e 53°52’58,1” W). As coletas foram realizadas no mês de novembro/2008 em São Gabriel e agosto/2009 em Vila Nova do Sul. Em cada um dos locais foram coletadas 10 amostras de serapilheira acumulada sobre o solo, em quatro parcelas, totalizando 40 amostras, distribuídas de forma aleatória. Para a coleta foi utilizada uma moldura de madeira com dimensões de 25 cm x 25 cm. No laboratório as amostras foram separadas nas frações: folhas, galhos finos (< 1 cm) e miscelânea (flores, frutos, sementes e restos vegetais não-identificáveis). Após a separação, o material foi colocado em estufa a 70°C por um período de 72 horas, sendo posteriormente pesado em balança digital de precisão (0,01g), para obtenção do peso seco do material e posterior moagem para realização das análises químicas. Resultados e Discussão: Nos dois fragmentos de floresta Estacional Semidecidual estudados foram encontrados os seguintes resultados: na floresta em São Gabriel a serapilheira acumulada sobre o solo foi de 7,89 Mg ha-1, sendo as folhas responsáveis por 1,87 Mg ha-1, os galhos finos por 2,09 Mg ha-1 e a miscelânea por 3,94 Mg ha-1; já na floresta de Vila Nova do Sul, foi encontrado uma serapilheira acumulada sobre o solo de 9,82 Mg ha-1, com 2,72 Mg ha-1 de folhas, 1,25 Mg ha-1 de galhos finos e 5,85 Mg ha-1 de miscelânea. A maior produção de serapilheira acumulada sobre o solo na floresta de Vila Nova do Sul, pode ser atribuído a um maior estágio de desenvolvimento sucessional da floresta (aspecto de floresta primária, bem desenvolvida, sem sinais de exploração no passado), e também a época do ano em que foi realizada a coleta de serapilheira, no caso em agosto, período de inverno, onde ocorre maior deposição de folhas no solo. Já a floresta de São Gabriel, encontra-se em estágio secundário de sucessão, com a presença de espécies exóticas em seu meio, principalmente a Hovenia dulcis (Uva-do-japão), com alguns locais bastante alterados em relação à formação original da floresta, o que lhe confere uma produção menor de serapilheira. Há partir dos dados obtidos da quantidade de serapilheira, será possível estimar a quantidade de nutrientes devolvidos para o solo das florestas estudadas. Conclusões: No fragmento de floresta em Vila Nova do Sul foi encontrado uma produção de serapilheira sobre o solo de 9,82 Mg ha-1, e em São Gabriel de 7,89 Mg ha-1. Estes resultados fornecem informações básicas para o entendimento da produtividade e ciclagem de nutrientes em florestas nativas na região do Bioma Pampa. Orgão de Fomento: PBDA

Palavras-chave


Serapilheira, Nutrientes, Floresta nativa

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