Novos Olhares Modificando A Estrutura De Um Serviço De Saúde

Vilma Constancia Fioravante Dos Santos, Naiana Oliveira Dos Santos, Maiana Pinheiro Dos Santos, Luiz Antonio Fernandes Filho, Beatriz Franchini

Resumo


Introdução: Segundo o Ministério da Saúde (2004), um Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) configura-se como um serviço de atenção à saúde mental e um ambiente de ruptura ao modelo manicomial asilar anteriormente vigente, oferecendo tratamento e acompanhamento terapêutico para pessoas que possuem algum tipo de sofrimento psíquico. Bem como, deve assumir papel estratégico na articulação e tecimento de redes sociais que promovam ao sujeito sua autonomia e vida comunitária. No que concerne a operacionalidade do serviço em questão, Antunes (2007), trás a perspectiva de que o contato da equipe de saúde com a realidade do usuário permite a compreensão do fenômeno saúde/doença mais amplamente, desmistificando, assim, a visão equivocada que condena e limita o doente mental como incapaz de se socializar. Neste contexto, uma das formas encontradas pelos CAPS para aproximar o individuo com sofrimento mental desses centros é a visita domiciliária, que pode ser entendida como uma ferramenta que une a desinstitucionalização em meio familiar do doente mental e a prestação de assistência pelo serviço. Assim, o presente estudo consiste em um Relato de Experiência de prática realizada num CAPS II (Centro de Atenção Psicossocial) em Uruguaiana/RS. Onde os acadêmicos tiveram a oportunidade de participar das práticas realizadas e observar a rotina do serviço. Objetiva-se descrever atividades realizadas fora do ambiente físico do CAPS II. Relatar o trabalho de visita domiciliária e busca ativa do serviço. Material e Métodos: Foi realizado um estudo Qualitativo, exploratório, do tipo Relato de Experiência partindo da observação participante realizada durante as atividades de rotina do CAPS no que tange a busca ativa e visita domiciliária. Os dados foram anotados em diário de campo e discutidos à luz da teoria. O período de observação se deu durante o mês de fevereiro de 2009. Resultados e Discussão: Pode-se perceber que profissionais de nível médio se destacavam na execução de tarefas e tinham uma grande proximidade e afinidade com a clientela excluída do CAPS. Esta clientela era composta por moradores de rua, pessoas que não aderiam ao tratamento convencional do CAPS ou que não possuíam condições de participar das atividades do serviço por motivos diversos. Mesmo assim, estas pessoas recebiam atenção na forma de visitas domiciliárias regulares para administração de medicações, oferta de alimentação e avaliação do estado geral. Observou-se também certa rigidez e estereotipia nos papéis de cada classe profissional dentro do serviço, onde se restringiam às suas atribuições específicas e demonstravam dificuldade em trabalhar em equipe e se flexibilizar diante das demandas existentes. Conclusões: O profissional da saúde possui a capacidade de praticar mudanças na vida de cada indivíduo que ele assiste, através do exercício ético quando luta por melhores condições de trabalho e melhor assistência ao usuário (BRASIL, 2009). Percebeu-se que o processo de reabilitação nos CAPS não deve ser entendido como a focalização do usuário/paciente, mas também para a ênfase no profissional, o qual deve se despir de hierarquização de práticas estereotipadas, criando melhores condições de trabalho e um território propicio à reabilitação, físico ou adscrito. Acredita-se na demanda por novos olhares e reflexão crítica acerca das práticas desenvolvidas no Município. Pois assim, pode-se fornecer subsídios para novas alternativas de aproximação entre a assistência e o ambiente onde o sofrimento é gerado ou amenizado, além das quatro paredes do CAPS. Orgão de Fomento:

Palavras-chave


Caps, Visita Domiciliária, Profissional da Saúde, Atenção em Saúde, Saúde mental

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