Avifauna Traficada No Estado Do Rio Grande Do Sul

Ana Maria Saccol Martins, Raíssa Ochôa Golin, Ricardo José Gunski

Resumo


Introdução: O tráfico de animais silvestres é o terceiro maior comércio ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. O Brasil, devido a sua rica biodiversidade, desperta a cobiça sobre a sua fauna e flora por traficantes que exploram, desde o descobrimento, seus recursos naturais até a exaustão. Calcula-se que, por ano, entre 12 a 38 bilhões de animais silvestres são retirados das matas brasileiras, porém desse total, apenas um em cada dez animais retirados chegam ao seu destino final, nove morrem durante a captura ou transporte. As aves, pela beleza de suas cores e pelos seus cantos suaves e melodiosos são, sem dúvida, o grupo de animais mais procurados. Apreensões do IBAMA em todo o Brasil, durante os anos de 1999 a 2000, mostraram que 82% dos animais comercializados naquela época eram aves. Algumas aves chegam a valer verdadeiras fortunas, como certos psitacídeos alguns Passeriformes, como Curiós Sporophila angolensis e canários-da-terra Sicalis flaveola. Este tipo de comércio já contribuiu para a extinção de algumas de nossas espécies, um exemplo bem recente foi a ararinha-azul, Cyanopsitta spixii. Outras espécies ainda têm suas populações ameaçadas por tal comércio, como exemplo, temos a arara-azul-grande Anodorhynchus hyacinthinus, a arara-azul-de-lear A. leari, o periquito da caatinga Aratinga cactorum, o pintor-verdadeiro Tangara fastuosa, a araponga do nordeste Procnias averano, o pintassilgo do nordeste Carduelis yarrellii e o bicudo Sporophila maximiliani. O presente trabalho apresenta um diagnóstico da avifauna traficada nas regiões centro e fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul. Material e Métodos: Os dados foram obtidos através dos protocolos de apreensões de aves registrados pelo 2º Batalhão Ambiental da Brigada Militar de Santa Maria nos anos de 2007 e 2008. As espécies foram separadas por família e contabilizadas para posterior análise. Resultados e Discussão: Foram contabilizados 1125 espécimes de aves distribuídas em 15 famílias e 41 espécies. A espécie mais apreendida foi Myiopsitta monachus representando 46%, seguido de Paroaria coronata com 24% do total de espécies apreendidas. A família mais representativa foi Psittacidae com 47% ,seguido de Emberizidade com 35% do total. Dos espécimes contabilizados, dois encontram-se vulneráveis de extinção para o estado do Rio Grande do Sul: Sporophila corallis e Tangara seledon. Conclusões: Os dados mostram a pressão do tráfico sobre as aves, de uma maneira geral, e sobre a família Psittacidae, de uma maneira específica, evidenciando o elevado interesse por aves que possuem a capacidade de imitar os seres humanos, por sua beleza e também por ser encontrada facilmente no estado em função da sua abundância. Apesar de o levantamento ser representativo, esta problemática ainda não tem sua real dimensão demonstrada, pois grande parte das aves traficadas são comercializadas antes que os órgãos ambientais consigam fazer a apreensão. Orgão de Fomento: PBDA/Pró Reitoria/Unipampa

Palavras-chave


tráfico, aves, psitacídeos, cardeal, caturrita

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