Utilizando A Visão Como MÉtodo AnalÍtico

Angela Carine Moura Figueira, Marcia Medianeira Toniasso Righi, Janisse Viero Garcia, João Batista Teixeira Rocha

Resumo


Introdução: Relatamos aqui, um módulo didático aplicado a uma turma composta por 25 alunos, formandos do curso de Química Licenciatura da Universidade Federal de Santa Maria, na disciplina de Bioquímica Experimental. Material e Métodos: Na primeira atividade, foram entregues aos alunos várias amostras de alimentos, as quais deveriam colocar em tubos de ensaio e acrescentar o reativo de biureto e a partir dos dados experimentais, dizer para que serve o biureto. Na segunda parte da aula, os alunos receberam uma amostra de leite e uma amostra padrão de albumina (5mg/ml). Eles deveriam então propor uma maneira de descobrir a quantidade aproximada de proteínas presentes no leite sem utilizar nenhum equipamento, apenas a análise visual. Na terceira atividade os alunos receberam uma amostra de azul de metileno com concentração desconhecida e uma outra solução padrão da mesma substância. Os alunos deveriam proceder da mesma maneira, porém agora, fariam uma curva analítica com a substância padrão e outra com a amostra, lembrando que aqui usariam apenas azul de metileno em água, sem nenhum outro reativo. Resultados e Discussão: Na primeira atividade, os alunos concluíram que todas as substâncias que apresentavam teste positivo com biureto possuíam proteínas em sua composição e que, portanto, o biureto serve para indicar a presença de proteínas. A maneira utilizada pelos estudantes para a quantificação das proteínas foi a comparação entre as amostras: utilizaram vários tubos de ensaio com quantidades diferentes da amostra padrão, adicionaram água e o reativo de biureto, a fim de fazer uma curva analítica para as concentrações. Fizeram a mesma curva para amostras bastante diluídas de leite. Após o termino dos experimentos, cada grupo comentou seus resultados que foram comparados com o valor real (3g/100ml). Foram obtidos valores muito distantes do esperado (1,48g/100ml; 5g/100ml etc.) e por isso pedimos que os alunos tentassem formular hipóteses para os erros nos resultados obtidos. Os maiores problemas relatados por eles foram : a interferência da amostra, dificuldades nos cálculos da concentrações e principalmente o fato de terem que utilizar não um aparelho de laboratório mas sim a própria visão. Ao final da terceira atividade, percebeu-se um melhor entendimento da técnica, já que os alunos conseguiram perceber que, fazendo uma curva padrão poderiam comparar as colorações e se um tubo do padrão apresentasse a mesma cor de um tubo com a amostra, poderiam inferir que em ambos haveria uma concentração muito semelhante, e a partir disso apenas deveriam fazer o cálculo das concentrações, admitindo a concentração inicial dada. Conclusões: Nota-se que quando a percepção do estudante sobre o conteúdo abordado é acompanhado de perto, conseguimos propor atividades que realmente possam fazer do aluno um agente do seu próprio saber, sendo que as estratégias didáticas utilizadas (experimentação e discussão em pequenos grupos) exigiram uma postura ativa dos alunos, diferente da passividade das aulas expositivas regularmente freqüentadas por eles, sendo possível observar uma maior motivação por parte dos alunos durante as aulas propostas neste trabalho. Assim, essa proposta pode auxiliar os futuros professores (alunos de licenciatura) a possuírem maior domínio dos conteúdos como também, instigar sua percepção e curiosidade. Orgão de Fomento: Capes

Palavras-chave


bioquímica, experimentação, proteína, biureto, azul de metileno

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