TEMPO E ESPAÇO NA MODERNIDADE LÍQUIDA: EXPERIÊNCIA E VIVÊNCIA DE UMA INSTALAÇÃO DE ARTE

Nara Rosane Machado de Oliveira, Simone Costa Gervásio, Daren Chaves Severo, Cristiane Azambuja, Ricardo Costa Brião, Sonia Maria da Silva Junqueira

Resumo


O presente trabalho evidencia uma performance artística realizada tendo por base o capítulo três do livro Modernidade Líquida de Zygmund Bauman. A temática do referido capítulo centrava-se na questão do tempo/espaço, problematizando as relações sociais em um mundo atravessado por constantes transformações. Para expressar de maneira artística as análises teóricas do capítulo, optamos pela construção de uma instalação de arte, que consistiu em trazer para um ambiente específico objetos pré-selecionados no intuito de estimular as percepções sensoriais dos participantes, possibilitando a eles uma vivência concreta e prática das ideias do autor. Assim, os espectadores, ao caminhar pelo corredor que era escuro e desconhecido, acompanhados por luzes de lanternas, que ora iluminavam algumas áreas e apontavam o caminho, ora se agitavam freneticamente pelo espaço, eram convidados a experimentar sensações auditivas, táteis, visuais e emocionais. A instalação estava montada repleta de cenários da cidade, imóvel, de acordo com a compreensão do referencial teórico, porém cada espectador traçava seu caminho, se detendo nos elementos que pareciam lhe fazer mais sentido, construindo novos sentidos a partir do seu vivido. As reações percebidas e relatadas foram múltiplas: espanto, angústia, sufocamento, risos, tensão e muitas outras difíceis de descrever, mas que talvez somente uma representação a partir de uma performance artística pode incitar. Na instalação procuramos retomar alguns dos principais conceitos apresentados no capítulo, como: o não lugar, os espaços vazios, a cidade enquanto assentamento humano, o estranhamento entre as pessoas, o consumo, a instantaneidade do tempo, entre outros, todos abordados por meio de imagens e experiências captadas na própria cidade em que a instalação aconteceu, como um indicativo aos espectadores sobre as proximidades de relações entre o referencial teórico de Bauman e o nosso cotidiano. Já que, ao olharmos para nossa cidade de forma crítica e muito realista, percebemos que também compomos os espaços-tempos e ao construir a instalação e receber os espectadores observamos que nossos sentimentos se entrecruzaram com os nossos sentires relacionados a algumas faltas de percepções cotidianas. Assim, é possível apontar como considerações finais a percepção de que com a experiência da instalação foi possível dar novos sentidos à leitura realizada, novos contornos e um aprofundamento de conhecimentos que não seria possível realizar apenas com a leitura do capítulo.

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