ROTULAGEM COMO UMA BARREIRA NA ADESÃO AO TRATAMENTO ANTIRRETROVIRAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Ana Paula França Dutra, Rosane Eunice Oliveira Silveira, Milena Moreira Ferreira, Carlos José Quaresma Jeismann, Teresinha Ricaldone

Resumo


O tratamento com a terapia antirretroviral (TARV) é de extrema importância para combater a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), e isso só é possível com a diminuição da replicação viral, o que leva a redução das infecções oportunistas, mortalidade, e ao fortalecimento do sistema imunológico, melhorando assim a qualidade e expectativa de vida dos usuários. No entanto, a adesão ao tratamento para doenças crônicas é um desafio vivido pelos profissionais de saúde, pois muitos fatores socioculturais e econômicos a influenciam. O estudo teve como objetivo desvelar através de um relato de experiência, uma das possíveis causas da não adesão a TARV por parte dos usuários de uma Unidade Dispensadora de Medicamento (UDM) da Região da Campanha em relação ao que diz nos rótulos das embalagens dos medicamentos antirretrovirais (ARVs), e a intervenção proposta pela profissional farmacêutica para minimizar o obstáculo revelado. Apresenta-se um relato descritivo com uma abordagem qualitativa da experiência da pratica assistencial da profissional farmacêutica em uma UDM com usuários portadores do vírus HIV (Vírus de Imunodeficiência Humana). Durante as dispensações foi observado, que alguns usuários retiravam os comprimidos das embalagens originais, colocando os mesmos em sacos ou sacolas plásticas para que o medicamento não fosse identificado por terceiros. Essa conduta pode gerar perda de medicação por mau acondicionamento, ou até mesmo não a usavam, para evitar serem descobertos ou indagados sobre os mesmos. A adesão é um fenômeno complexo, com muitas causas, conhecer essas dificuldades permite ao profissional criar estratégias para reverter à situação. Diante dessa situação, buscou-se através de etiquetas brancas sem identificação, cobrir os rótulos dos medicamentos ARVs, mantendo-os nas embalagens originais, conservando sua integridade e favorecendo a adesão. Logo, os resultados foram positivos, pois atingiram grande parte dos usuários que tinham uma conduta equivocada quanto ao armazenamento e uso da medicação, superando assim um obstáculo que influenciava na adesão desses pacientes. O paciente soro positivo requer que os profissionais entendam suas necessidades básicas afetadas, sua fragilidade, merecem respeito e atenção, além de incentivo para sua autonomia e autoestima.

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