NEUROMITOS NAS ESCOLAS: AÇÕES PARA ELUCIDÁ-LOS

João Pedro Sperluk Arce, Pamela Billig Mello Carpes, Mayara Marques de Souza, Liane da Silva de Vargas

Resumo


Um neuromito pode ser caracterizado como uma informação equivocada a respeito de conceitos relacionados com o Sistema Nervoso (SN) que é disseminada à população em geral. Um neuromito pode surgir de várias formas, como por exemplo, em uma leitura errônea ou uma má interpretação dos dados científicos, ou também por informações infundadas amplamente divulgadas pela mídia. Diante deste contexto, o objetivo deste trabalho é relatar a metodologia utilizada para discutir temas atuais relacionados com a neurociência e educação junto a estudantes da Educação Básica, desmistificando alguns neuromitos, bem como avaliar o impacto das ações realizadas. As atividades de extensão aqui relatadas foram realizadas durante o ano letivo de 2015, nos meses de julho a novembro, em quatro escolas da rede pública da cidade, parceiras do programa de extensão POPNEURO. Participaram das ações em torno de 109 alunos com idade entre 10 e 13 anos, sendo que as atividades foram realizadas semanalmente, tendo duração de cerca de 1h e 30 minutos cada.
Para trabalhar o tema neuromitos lançamos mão de uma abordagem lúdica, preparada de acordo com a idade média dos alunos. Esta temática foi abordada em quatro encontros, sendo que cada um consistiu em uma breve explanação teórica seguida de atividades práticas que envolveram toda a turma em torno do tema trabalhado.
Dentre os neuromitos trabalhados estão:
(i) Usamos apenas 10% do nosso cérebro: o objetivo foi explicar aos alunos o conceito de neuromito e mostrar que usamos 100% do cérebro sempre, sendo este um dos neuromitos mais difundidos, especialmente em função de ser tema de vários filmes e matérias divulgadas pela mídia;
(ii) Teoria localizacionista: o objetivo foi apresentar aos alunos o conceito desta teoria e mostrar as áreas do cérebro que são ativas durante nossas ações cotidianas, lembrando que elas atuam de forma interligada, em conjunto;
(iii) Existem períodos críticos para a aprendizagem; não existe neurogênese: o objetivo deste encontro foi trabalhar estes dois neuromitos, discutindo o conceito de plasticidade cerebral, memorização e neurogênese (nascimento de novos neurônios); e,
(iv) Super memória e terapias para melhorar nosso cérebro: o objetivo do último encontro foi discutir o uso de medicações e terapias que, ilusoriamente, prometem turbinar o cérebro, bem como as práticas que realmente podem melhorar nosso cérebro, tais como a prática regular de atividade física, uma boa qualidade de sono, etc..
Como forma de avaliação das ações propostas, a cada encontro os alunos participantes responderam um questionário antes e outro após as atividades realizadas. Nossos resultados demonstram que obtivemos êxito na elucidação de alguns neuromitos, bem como na troca de informações. Sabendo que ainda existem muitos neuromitos em salas de aula, é de extrema importância que existam atividades que tenham por objetivo desmitificar essas informações. Ações extensionistas como as aqui relatadas demonstraram ser uma boa estratégia para a elucidação dessas informações errôneas e, partindo do pressuposto de que o aluno aprenderá sobre o funcionamento correto do seu cérebro, espera-se que a ampliação de ações como estas ajudem a diminuir a perpetuação.

Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.