REFLEXOS DA EDUCAÇÃO ALIMENTAR SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES E ESTADO NUTRICIONAL DE ESCOLARES ESCOLA PÚBLICA ITAQUI/RS

Bárbara Schuh Kercher, Roberta Zanini, Julianna do Amaral Ritter

Resumo


No Brasil, há um elevado consumo de alimentos com alto teor calórico, ricos em gorduras saturadas, açúcar, sódio, bebidas açucaradas e lanches do tipo fast-food, além do consumo reduzido de frutas e hortaliças. Assim, a realização de atividades que avaliem o consumo alimentar de escolares e possibilitem a realização de ações de educação alimentar a estas crianças torna-se essencial, uma vez que evitar problemas de saúde e a formação de maus hábitos alimentares é mais eficaz do que modificá-los futuramente, já na idade adulta. Diante disso, o objetivo deste estudo foi avaliar os reflexos da educação alimentar e nutricional sobre o comportamento alimentar e o estado nutricional de escolares do 1º ano de uma escola de ensino fundamental da rede estadual de educação do município de Itaqui/RS. O estudo foi composto por três etapas (diagnóstico, intervenção e avaliação) realizadas em dias diferentes. Primeiro, realizou-se o diagnóstico a partir da coleta de dados antropométricos e de consumo alimentar do grupo. O estado nutricional foi avaliado com aferição do peso corpóreo e estatura, para o cálculo do índice de massa corpórea (IMC). Os dados de consumo alimentar foram obtidos por meio da aplicação do Questionário Alimentar do Dia Anterior (QUADA) para escolares de seis a 11 anos. A intervenção alimentar foi realizada por meio de roda de conversa utilizando cartazes direcionados à população infantil, informando sobre alimentos saudáveis e não saudáveis. Na primeira aplicação, verificou-se que o consumo de refrigerantes foi elevado em ambos os sexos (70,0%). O consumo de sucos industrializados apresentaram frequência menor, menos da metade dos escolares (40,0%) relataram consumir estes alimentos. Os valores do consumo de bolachas recheadas também foram mais baixos (40,0%). O consumo de chocolates foi o que apresentou menor percentual de consumo (10,0%). Com a segunda aplicação, observou-se que as frequências de consumo de refrigerantes e de sucos industrializados apresentaram reduções após a realização da intervenção (chegando a 10,0%). Os valores encontrados para o consumo de bolachas recheadas, que também apresentaram reduções na frequência de consumo, chegando a 30,0%. O consumo de chocolates apresentou aumento, indicando frequência de 70,0%. Quanto às classificações de estado nutricional dos escolares nas diferentes avaliações realizadas. Verifica-se que, previamente à intervenção, os escolares apresentavam altos percentuais de obesidade (70,0%) e baixos índices de adequação de peso (20,0%). Após a atividade, observou-se aumento nos percentuais de escolares com peso adequado e com sobrepeso (atingindo 30,0% e 40,0%, respectivamente), e redução do percentual de escolares obesos. Contudo, não é possível afirmar que o aumento de escolares com sobrepeso seja um fator crítico, pois o índice de estudantes obesos reduziu e, devido a esta perda de peso, estes possam ter se enquadrado na classificação de sobrepeso. Com a realização deste estudo, foi possível concluir que o desenvolvimento de atividades educacionais que visem à melhora do comportamento alimentar dos escolares, utilizando recursos ilustrativos e interativos, é uma estratégia eficiente de intervenção alimentar, uma vez que reduziu significativamente o consumo de alimentos industrializados entre os estudantes e contribuiu para a melhora do seu perfil antropométrico.

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