MAPA DA VIOLÊNCIA E ACESSO À JUSTIÇA: MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA EM LIVRAMENTO

Mirenchu Maitena dos Santos Rivas, Vanessa Dorneles Schinke, Júlia Sleifer Alonso, Laila Rava Salvadora Santos, Anayara Fantinel Pedroso, Francielen Medianeira Batista Toniolo

Resumo


O presente trabalho busca apresentar os resultados parciais obtidos no projeto de extensão "Mapa da violência e acesso à justiça: mulheres em situação de violência em Santana do Livramento". Este projeto será realizado em um período de dois anos (2017-2018) e tem como principal objetivo analisar as desigualdades de gênero no município de Santana do Livramento e a forma pela qual o o sistema de justiça criminal atua no que se refere ao combate à violência contra a mulher. Na primeira metade do projeto, período no qual se encontra, estão sendo analisados os bancos de dados da Polícia Civil de Santana do Livramento. Através da análise dessas ocorrências, é possível identificar os perfis das vítimas e dos agressores, bem como das regiões do município que possuem maior índice de violência contra a mulher. Com essas informações será feito um mapa da violência contra a mulher, que transmitirá, através de uma linguagem visual, os resultados obtidos na coleta de dados. Após a confecção do mapa, as extensionistas verificarão qual o bairro onde existe maior número de ocorrências referentes a violência de gênero e farão incursões na localidade, bem como desenvolverão atividades de conscientização e de prevenção à violência de gênero na Universidade Federal do Pampa Campus Santana do Livramento.
Até o momento, foram analisados mais de mil registros públicos, nos quais se percebe que a maioria das vítimas tem idade entre 16 e 24 anos e possui apenas ensino fundamental. Lesões corporais e ameças são os crimes com maior número de registros entre os crimes analisados. Constatou-se, ainda, que os agentes públicos não tem formação técnica apropriada sobre justiça de gênero que os capacitem para o acolhimento das vítimas, as quais sequer são atendidas em locais reservados. O município não conta com uma casa de acolhimento às vítimas e seus filhos, haja vista que, nos casos de coabitação, correm risco de sofrer novas violências se mantida a convivência com os agressores. Ademais, não existe comunicação entre os bancos de dados das instituições do sistema de justiça criminal, o que dificulta a criação de políticas públicas sobre justiça de gênero. Verificou-se, também, que não existe um mapeamento indicando os pontos da cidade com maior índice de violência contra a mulher.
O projeto vem contribuindo para divulgar o tema de justiça de gênero nas instituições públicas, nos grupos vulneráveis e entre os discentes, para que possam, assim, aproximarem-se criticamente da realidade local e refletir sobre o acesso à justiça, a seletividade do sistema de justiça e a justiça de gênero, formando, assim, tanto cidadãos, quanto futuros profissionais comprometidos socialmente e aptos a intervir na realidade social.

Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.