NATIVOS DIGITAIS: O PAPEL DA MÍDIA JORNALÍSTICA NA PRODUÇÃO E REPRODUÇÃO DE DISCURSOS

Cristiane Azambuja, Clara Zeni Camargo Dornelles

Resumo


Este trabalho parte da observação de um senso comum sobre a relação de crianças e adolescentes com as tecnologias da informação e comunicação (TICs). Acredita-se que, a partir do conceito divulgado pelo norte-americano Mark Prensky, de que existe uma dicotomia entre os que nasceram e foram criados envolvidos pelas novas tecnologias, os nativos digitais, e os que tiveram que se adaptar a elas, que seriam imigrantes digitais, foi produzido um discurso sobre os jovens que ignora as diferenças sociais, econômicas e culturais deste grupo tão heterogêneo. Considerando a mídia como formadora de opiniões e produtora de saberes, ao mesmo tempo que é um reflexo da opinião pública, têm-se como objetivo realizar uma análise do discurso da mídia jornalística, verificando como é abordada a relação de crianças e adolescentes com a tecnologia e qual o seu papel enquanto veiculadora dessa realidade observada. Foram selecionados 22 textos, publicados em meio digital e nos últimos 5 anos, dos jornais Zero Hora e O Globo, sendo o critério de seleção a referência ao compreendido como nativo digital, com alguma relação com educação, cultura ou modo de aprendizagem desses sujeitos. A análise considerou a presença ou ausência de fatores sociais, econômicos ou culturais, ou que fossem além da mera questão geracional. Observou-se o tratamento homogêneo desses sujeitos sobre sua relação com as TICs, a presença massiva de referências a um conflito geracional e aptidão nata de crianças com a tecnologia, enquanto estão ausentes elementos de um contexto sociocultural. É possível concluir que o observado no senso comum condiz com o que é veiculado nos jornais e que a diversidade desse grupo etário não está presente nesse discurso, já que é possível identificar um grupo sobre quem se fala e para quem se fala.

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