DA AUTORIA EM ATO: PERSONAS AUTORAIS EM MONÓLOGOS DE CAIO F. ABREU

Santiago Bretanha Freitas, Ana Lúcia Montano Boessio

Resumo


Sob a sugestão de Caio Fernando Abreu, de ler Os dragões não conhecem o paraíso enquanto romance-móbile, em que cabe ao leitor (re)compor a arquitetônica da narrativa, objetivamos, no presente trabalho, a partir de uma abordagem comparatista entre literatura e cultura, refletir sobre a autoria e sobre a composição estética da personagem em dois monólogos, os contos Dama da Noite (ABREU, 2014) e Os dragões não conhecem o paraíso (ABREU, 2014), este último homônimo à obra que os encerra. Na tessitura de nossa crítica, assumimos a ótica bakhtiniana, quando nos atemos em perceber as personagens dos contos, ambas narradores-personagem, enquanto personas autorais. A noção de persona (oriunda da dramaturgia) subjaz ao conceito de personagem e, conforme Bakhtin (2011), atua como condensador semântico de uma alteridade da consciência autoral ao mesmo tempo que, em uma perspectiva antropológica (WAGNER, 2012), é desveladora da condição do sujeito social enquanto invenção dialética da cultura. Sendo assim, partimos do pressuposto de autoria enquanto ato responsivo (responsável), assim como sustentamos a visão de que a obra literária é prenhe de sentidos e de que o fazer do crítico é, antes de tudo, o de iluminar as fendas, as rugas e os intervalos do texto.

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