ANÁLISE DE NECESSIDADES DE AGENTES PENITENCIÁRIOS FALANTES DE PORTUGUÊS URUGUAIO COMO APRENDIZES DE PORTUGUÊS BRASILEIRO

André Gonçalves Ramos, Maria Tereza Nunes Marchesan

Resumo


A Abordagem Instrumental de ensino de línguas é a base teórica utilizada pelo Centro de Ensino e Pesquisa de Línguas Estrangeiras Instrumentais (CEPESLI) na elaboração e execução dos cursos relacionados aos projetos do Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a capacitação em português como língua estrangeira instrumental de agentes do governo uruguaio. O projeto em que esta se concentra diz respeito à capacitação de agentes penitenciários, com o intuito de lhes proporcionar conhecimento instrumental de português para interagir em português com brasileiros residentes ou de passagem pelo Uruguai. Nesse contexto, tendo em vista o fato de que grande parte dos agentes penitenciários fronteiriços é falante de uma variedade de português, o português uruguaio (PU), consideramos relevante investigar mais a fundo suas necessidades de aprendizagem do português utilizado no Brasil (PB). Assim, este trabalho teve como objetivo apresentar uma Análise de Necessidades para o ensino/aprendizagem de PB a falantes de PU. Para tanto, inicialmente procedemos ao estudo das características da fronteira Uruguai-Brasil e do português uruguaio em seus aspectos histórico, linguístico, social e político (CARVALHO, 2003a, 2003b, 2007, 2008, 2010; MILÁN, SAWARIS e WELTER, 1996; e STURZA, 2005, 2006, 2014; etc.). Também buscamos como referência teórica os pressupostos da abordagem instrumental, seu histórico, suas características gerais e seu vínculo com o ensino de português como língua estrangeira para o público em geral e para falantes de PU (HUTCHINSON e WATERS, 1987; e DUDLEY-EVANS e ST. JOHN, 1998; etc.). Com relação à metodologia, utilizamos o estudo de crenças (BARCELOS, 1995, 2000, 2001, 2004, 2006, 2007; PAJARES, 1992, etc. ) para levantar as crenças de falantes de PU sobre o uso e a aprendizagem de português; e a Análise de Erros (CORDER, 1967, 1971; SANTOS GARGALLO, 2004; etc.) para analisar a produção linguística em português de agentes penitenciários uruguaios, falantes de PU, em contraste com o PB. Os sujeitos participantes desse estudo foram quatro agentes penitenciários uruguaios, homens, funcionários da penitenciária Cerro Carancho, localizada na cidade de Rivera-ROU. Os resultados indicaram que os sujeitos precisam aprender a variedade brasileira do português (PB) com fins específicos para se comunicar com brasileiros que se encontram em situação de privação de liberdade nas penitenciárias uruguaias; evidenciou também que os sujeitos acreditam que precisam aprender a escrever em português; corrigir alguns aspectos da fala; e aprender (melhorar) português para usar com brasileiros que não são da fronteira. Por último, as análises evidenciaram que os sujeitos necessitam aprimorar seus conhecimentos sobre a origem de sua língua materna; sobre as variedades do português e alguns problemas linguísticos e sociolinguísticos relacionados ao uso de formas estigmatizantes e erros de pertinência e/ou discursivos.

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