CRISE GREGA E SEUS DESDOBRAMENTOS: UMA ABORDAGEM DE JOGO DINÂMICO ENTRE GRÉCIA E TROIKA

Josiane Dorneles, Geraldo Edmundo Silva Júnior

Resumo


O presente trabalho partiu da análise quanto a problemática vivida pela Grécia em que, desde o estabelecimento da crise financeira de 2008 viu sua situação econômica, que já era fragilizada por uma administração pública ineficiente, entrar em colapso. Com vista em conter o deficit público e retomar o crescimento econômico, o governo grego passou a assumir relações contratuais com os credores a partir da tomada de empréstimos que contribuíram para o aumento da dívida característica da crise enfrentada pelo país a partir de 2010. Fazendo uso da metodologia de Jogos de Sinalização, fez-se a representação da relação contratual existente na tomada de empréstimos entre a Grécia e a Troika. Considerando as diferentes posturas que os jogadores podem assumir, através do estabelecimento de um vetor de tipos e um conjunto de ações que representam seu comportamento adotado na dinâmica de negociações considerada. A ocorrência de cada tipo assumido pelos jogadores é determinada pela Natureza, sendo representada através de uma probabilidade de ocorrência para cada tipo. Da mesma forma, foram atribuídas probabilidades de ocorrência à cada ação. Após a construção da estrutura do jogo, estimou-se através da análise de sobrevivência a probabilidade de ocorrência das ações da Grécia, sendo seu conjunto de ações composto pelas possibilidades de cumprir ou não cumprir os acordos e imposições estipulados por seus credores. Como resultado, a ação não cumpre apresentou probabilidade de ocorrência de aproximadamente 0,99, enquanto que, cumpre teve probabilidade de 0,01. As estruturas do jogo para a verificação de ocorrência de equilíbrio levaram em conta os payoffs obtidos a partir das combinações de ocorrência possíveis além dos valores das probabilidades de ações da Grécia obtidos na análise de sobrevivência. A análise de equilíbrio revelou que em tendo a Grécia uma maior probabilidade a ação de não cumprir, a Troika terá por estratégias resultantes as associadas a ação não empresta, criando condições para a Grécia não fazer mais parte das negociações. Desta forma chega-se a configuração de uma situação em que a Troika decide por não emprestar, com as imposições e medidas de austeridade como condições no estabelecimento de contratos, o governo grego tem por alternativa resultante a declaração de default.

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