PRODUÇÃO IDENTITÁRIA: DESCONTINUIDADES ENTRE O MODERNO E O PÓS-MODERNO

Caroline Soares de Lima, Dulce Mari da Silva Voss

Resumo


Desde a Modernidade passamos a entender que identidades e diferenças seriam classificações dos sujeitos por números, endereços, idade, cor, sobrenome, etc. Que todos temos direitos iguais, por isso temos que aceitar o diferente. Esse é o discurso da homogeneização cultural. Porém, é importante perceber que esses discursos são produzidos nas relações sociais de forma conflituosa, pois o poder é disputado no processo de construção das sociedades e das culturas. A identidade pode ser compreendida como sendo aquela que nos diferencia dos demais sujeitos. Ainda que consigamos nos enquadrar em determinados grupos e sentirmos que fazemos partes destes coletivos, somos reconhecidos como um indivíduo. Um sujeito capaz de ser diferenciado na multidão. Objetivo com esse trabalho discutir os conceitos de identidade e diferença a partir de discursos teóricos que formularam sistemas de pensamentos ou racionalidades para explicar os modos como se constitui o sujeito moderno e pós-moderno. Negar as diferentes identidades enquadra todos os sujeitos num discurso único. Quando os discursos envolvem a caracterização da diferença em si e a aceitação e respeito aos diferentes, anula-se o outro para enquadrá-lo num discurso normalizador. Mas, a questão é não suprimir a diferença que, assim como a identidade, se constitui nas relações sociais e humanas, e sim reconhecer as múltiplas forças e práticas culturais envolvidas nessas interações. Para tanto utilizei uma metodologia de pesquisa bibliográfica de autores que alinham-se as teorias pós estruturalistas e pós modernas em relação aos processos de subjetivação e suas descontinuidades na era moderna e pós-moderna da cultura ocidental. A coleta de dados se deu sobre as práticas discursivas que fabricam conceitos de identidade e diferença na Modernidade e as rupturas históricas produzidas pela Pós-Modernidade, com base em autores como Hall (2011), Silva (2000), Foucault (1984; 1996). Portanto, a concepção de identidade que criamos ao longo da história de um eu formatado, não passa de ilusão, somos eus em constante transformação. Identidade e diferença se constituem mediante nós mesmos e nas relações com os outros e com o meio que estamos inseridos, assim como afirma Silva (2000, p. 74), [...] a identidade só tem como referência a si própria: ela é auto-contida e autossuficiente. Este estudo reafirma minha posição de pesquisadora que acredita que as identidades e diferenças são produzidas nas incertezas, em relações de complexidade que atravessam os sujeitos. Uma concepção de identidade mutável e produzida pelos sujeitos nas suas interações sociais e culturais, historicamente, que assinalam processos descontínuos na Modernidade e Pós-Modernidade. Entendo que, no contexto atual, não posso julgar como sólida uma identidade, empedrada de concepções teóricas, já que essa não pode ser moldada totalmente, pois, de forma geral são destituídas de qualquer atribuição de valor, de qualquer implicação. As identidades são complexas e móveis. Hall (2011, p. 09) me faz compreender isso quando diz que: [...] é impossível oferecer afirmações conclusivas ou fazer julgamentos seguros sobre alegações e proposições teóricas que estão sendo apresentadas.

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