AVALIAÇÃO in vivo DO POTENCIAL GENOTOXICO DO EXTRATO AQUOSO LIOFILIZADO DE Ceiba speciosa.

Bruno Melo Baptista, Fabiane Moreira Farias, Natiele da Rosa, Thiane Martins Messina, Laura Lanes Etcheverria, Mylena da Silva Vargas

Resumo


Ceiba speciosa (MALVACEAE) é uma espécie arbórea que ocorre nas regiões centro-oeste, sudeste e sul do Brasil, sendo empregada principalmente para fins ornamentais. O chá das cascas da espécie é amplamente consumido na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul para a redução dos níveis sanguíneos de colesterol e prevenção do aumento dos mesmos. Embora a planta tenha um amplo uso popular na região, não há relatos na literatura científica sobre as suas ações farmacológicas ou dados de toxicidade, impossibilitando a avaliação do risco/ benefício no emprego terapêutico de C. speciosa. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar a influência da administração do extrato aquoso (28 dias) em ratos normais e realizar a investigação preliminar da toxicidade da espécie. Este trabalho foi aprovado pela Comissão de Ética em Experimentação Animal (CEEA) da Universidade Federal do Pelotas (CEEA 5747-2015). O extrato aquoso foi obtido por decocção em água destilada e posterior liofilização, obtendo-se o extrato aquoso liofilizado de C. speciosa (EALCs). Primeiramente, ratos Wistar foram divididos em 4 grupos: controle negativo tratado com solução salina (CS), controle positivo (CP), grupo tratado com EALCs 200mg/Kg, e grupo tratado com EALCs 400mg/Kg. Os animais foram divididos em três grupos: grupo controle negativo (CS), grupo tratado com EALCs 200mg/Kg e grupo tratado com 400mg/Kg. O grupo controle negativo recebeu solução salina e os grupos tratados receberam o EALCs por gavagem durante 28 dias. O fígado e o rim foram removidos e empregados para a avaliação preliminar da toxicidade da espécie. Os resultados obtidos neste estudo foram analisados através do software estatístico Graph Pad Prism 5.0. O extrato da espécie não alterou os níveis sanguíneos de colesterol de ratos normais, porém aumentou significativamente os níveis de glicose nas duas doses testadas. C. speciosa não promoveu alterações mutagênicas em tecido hepático ou renal. Porém, o extrato EALCs 400mg/Kg induziu danos ao DNA no tecido hepático, sugerindo ação genotóxica. Os resultados deste trabalho não permitem confirmar ou descartar a atividade hipocolesterolêmica de C. speciosa, mas fornecem informações importantes no que diz respeito à segurança da população que consome regularmente a espécie.

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