CARACTERIZAÇÃO MOLECULAR DA RESISTÊNCIA À CLINDAMICINA EM ISOLADOS CLÍNICOS DE STAPHYLOCOCCUS AUREUS

Angelita Bottega, Marissa Bolson Serafin, Mônica de Abreu Rodrigues, Fernanda Aguirre Carvalho, Rosmari Horner

Resumo


A resistência do Staphylococcus aureus à classe dos macrolídeos, lincosamidas e estreptograminas do tipo B, caracteriza a chamada resistência MLSB. Sua expressão pode ser constitutiva (cMLSB) ou induzível (iMLSB) e é codificada principalmente pela presença do genes erm (erytromycin robossomal methylase) (MAHESH et al., 2013).
No fenótipo cMLSB, os genes erm estão expressos e a RNA metilase é produzida mesmo na ausência de um agente indutor. Microrganismos com este fenótipo demonstram, in vitro, resistência à eritromicina, clindamicina e aos demais antimicrobianos MLSB, sendo facilmente detectada no antibiograma. Já no fenótipo iMLSB, a bactéria produz RNAm inativo, incapaz de codificar metilases. Este, torna-se ativo, apenas na presença de um agente indutor como um macrolídeo, que leva a rearranjos do RNAm, permitindo que os ribossomas traduzam a sequência codificadora de metilases e o microrganismo expresse seu verdadeiro mecanismo de resistência. O tratamento das infecções com esse mecanismo, é um desafio, uma vez que podem ocorrer falhas terapêuticas (ALEKSANDRA et al., 2014; CHAUDHARY et al., 2015).
Estudos de vigilância local relacionados à resistência MLSB podem contribuir para o monitoramento do uso de antimicrobianos, possibilitando a escolha da terapia empírica mais efetiva ao paciente, além de auxiliar na implementação de medidas para o controle de infecções no ambiente hospitalar. Dessa forma, este estudo investigou molecularmente a presença dos genes erm e msrA em isolados clínicos de S. aureus, obtidos de pacientes admitidos em um Hospital Terciário do sul do Brasil no período compreendido entre abril a dezembro de 2011, armazenados na bacterioteca do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal de Santa Maria, os quais apresentaram no teste fenotípico (D-teste) previamente realizado (BOTTEGA et al., 2014), resistência a classe MLSB.

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