DIAGNÓSTICO DE PACIENTES BRASILEIROS COM INTOLERÂNCIA HEREDITÁRIA À FRUTOSE ATRAVÉS DE NGS

Franciele Cabral Pinheiro, Ida Vanessa Doederlein Schwartz, Fernanda Sperb Ludwig, Erlane Ribeiro, Filippo Vairo

Resumo


A Intolerância Hereditária à frutose (IHF, OMIM#229600) é um erro inato do metabolismo da frutose, de herança autossômica recessiva causada pela deficiência da enzima Aldolase B (E.C.4.1.2.13), a qual é codificada pelo gene ALDOB. Essa enzima cliva a frutose-1P em duas trioses (gliceraldeído e diidroxiacetona fosfato). O acúmulo do substrato pode acarretar em hepatomegalia e, em casos graves pode causar falhas severas do fígado e rins. Essa doença se manifesta quando alimentos são inseridos na dieta do bebê, por crises de hipoglicemia associadas ao consumo de frutose. Achados clínicos importantes são a aversão contra alimentos doces e alterações no padrão de isoeletrofocalização para transferrina. O método de diagnóstico é baseado na atividade da enzima Aldolase B no fígado ou no teste de tolerância à frutose. Ambos os métodos são considerados altamente invasivos. No Brasil, não há laboratórios credenciados à análise da atividade enzimática da Aldolase B. Em razão disso, o presente trabalho visa realizar a análise genética do gene ALDOB de pacientes com suspeita clínica de IHF por NGS. Assim, foi realizada a extração de DNA de amostras de sangue de 12 pacientes com suspeita clínica de IHF utilizando o Easy-DNA Kit (InvitrogenTM). A análise da sequência do gene ALDOB dos pacientes foi realizada a partir do sequenciamento nova geração (NGS) com um painel de genes otimizado na plataforma Ion Torrent PGM (Life Technologies). A análise genética confirmou o diagnóstico de cinco pacientes com IHF, o que evidencia as dificuldades encontradas em realizar o diagnóstico dessa doença em razão da sintomatologia inespecífica. Foram detectados dois genótipos diferentes: c.[448G>C;360_363delCAAA] (n=4) e c.[448G>C;178C>T] (n=1). Todas as mutações detectadas são comprovadamente patogênicas e foram previamente descritas em pacientes com IHF em outros países, como Itália, EUA, Reino Unido, dentre outros. As frequências das mutações encontradas nesse estudo c.448G>C (50%) c.360_363delCAAA (40%) e c.178C>T (10%) são diferentes das observadas por outro estudo envolvendo pacientes brasileiros, em que as frequências foram: 12,5%, 25% e 25%, respectivamente. Estudos sugerem que esses alelos surgiram uma vez e se dispersaram pela população mundial por deriva genética. Assim esses achados refletem a grande miscigenação da população brasileira. Em suma, os resultados do presente estudo indicam que o método de NGS constitui uma ferramenta adequada e inovadora ao diagnóstico da IHF em pacientes brasileiros.

Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.