EFEITO NEURODEPRESSOR DO COMPOSTO NATURAL (+)-DEIDROFUQUINONA EM DUAS ESPÉCIES DE VERTEBRADOS

Quelen Iane Garlet, Luana da Costa Pires, Patrícia Rodrigues, Bernardo Baldisserotto, Carlos Fernando de Mello, Berta Maria Heinzmann

Resumo


O sesquiterpenoide (+)-deidrofuquinona (DHF) é encontrado no óleo essencial de folhas, frutos, inflorescências e cascas de Nectandra grandiflora Ness (Lauraceae). Óleos essenciais e seus compostos são frequentemente relatados como contendo propriedades sedativa, ansiolítica e anticonvulsivante, todas resultantes de uma ação depressora do Sistema Nervoso Central (SNC). Portanto, este trabalho tem como objetivo avaliar a interação de (+)-DHF com o SNC e com os receptores GABAa em duas espécies de vertebrados. A análise química quantitativa e qualitativa de (+)-DHF foi realizada por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas. As metodologias foram aprovadas pelo Comitê de Ética e Bem-Estar Animal da Universidade Federal de Santa Maria. Juvenis de jundiás (Rhamdia quelen) foram avaliados quanto ao efeito sedativo (sedação com perda parcial de postura natatória. Os animais foram avaliados em banho contendo (+)-DHF (5-50 mg/L), diazepam (DZP, 42,7 mg/L, controle positivo) ou a associação dos dois e foi registrado o tempo em que o animal alcançou o estágio de sedação proposto. Ainda, foi analisada a recuperação da sedação induzida por (+)-DHF ou DZP em banho em água ou em flumazenil (FMZ, 3 mg/L). O tempo total de observação da recuperação foi 30 min. e nos tempos 1, 5, 10, 15, 20 e 30 min, os animais foram observados quanto ao seu comportamento e foram atribuídos escores de recuperação. Os escores de recuperação em água e em FMZ foram comparados utilizando a área sob a curva da média dos escores em função do tempo. Para a avaliação da atividade anticonvulsivante em camundongos (Swiss, fêmeas), os animais (N=6) receberam controle (veículo) ou (+)-DHF (3; 10; 30 ou 100 mg/kg, i.p). Após 30 min, os animais receberam 50 mg/Kg, i.p. de pentilenotetrazol (PTZ). Os animais foram observados por 20 min e foram registrados os tempos de latência para a primeira mioclonia e para crise generalizada tônico-clônica. Animais (N=7) foram pré-tratados com FMZ (2 mg/Kg; i.p.) 15 min antes da administração de: veículo, (+)-DHF (10 e 100 mg/ Kg) ou DZP; 0,5 mg/ Kg; controle positivo. (+)-DHF induz sedação com perda parcial de equilíbrio em peixes a partir da concentração de 5 mg/L, sendo mais potente que o DZP. Quando em associação com o DZP, o efeito sedativo de (+)-DHF foi mais rápido, indicando uma possível ação colaborativa destas substâncias. O efeito sedativo de (+)-DHF foi revertido mais rapidamente em banho contendo FMZ do que em banho em água. O efeito neurodepressor do composto (+)-DHF foi ratificado no teste com camundongos. (+)-DHF foi capaz de postergar o início da mioclonia (10 mg/kg) e de crises generalizadas tônico-clônicas (10-100 mg/kg) induzidas por PTZ. O pré-tratamento com o antagonista do sítio benzodiazepínico do receptor GABAa, flumazenil preveniu o efeito anticonvulsivante de (+)-DHF. O composto (+)-deidrofuquinona tem efeito sedativo e anticonvulsivante, cujo mecanismo de ação envolve a participação dos receptores GABAa. Os resultados da administração de (+)-deidrofuquinona em duas espécies de vertebrados confirma o potencial desta molécula em produzir efeitos neurodepressores em animais. Portanto, mais estudos devem ser realizados para melhor caracterizar o perfil farmacológico deste sesquiterpenoide.

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