OS FUNCIONAMENTOS DE LÍNGUA NO VOC: REFLEXÕES INICIAIS

Valéria de Cássia Silveira Schwuchow, Verli Petri

Resumo


Neste trabalho no propomos pensar o funcionamento da memória discursiva na plataforma do Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), especialmente no recorte da palavra língua‟ nos vocabulários brasileiro e português. Nossa pesquisa se fundamenta nas teorias: Análise de Discurso Francesa, a partir de Michel Pêcheux, considerando também os autores que desenvolvem pesquisas nesta linha no Brasil; e na teoria da História das Ideias Linguísticas, a partir de Sylvain Auroux e autores brasileiros que discutem esta teoria. Considerando a perspectiva discursiva, nossa análise se pauta por procedimentos pensados a partir de Orlandi (2009). Desse modo, num primeiro gesto temos a organização do corpus e a seleção dos recortes. A seguir, num segundo gesto, mobilizamos o dispositivo teórico da Análise de Discurso Francesa, estabelecendo as relações entre língua, e memória nos recortes. Com estes gestos refletimos sobre a memória discursiva e os efeitos de sentidos da palavra língua‟ nos diferentes vocabulários. Entendemos que a palavra língua no masculino dada como de alta frequência de uso apenas no Brasil resgata uma memória discursiva do período da colonização, momento em que tínhamos os interpretes portugueses, ou Os línguas.Estes interpretes se fizeram presentes no Brasil no momento em que ocorre a imposição da língua portuguesa pelo colonizador, instaurada por um processo ideológico forçado de ideias linguísticas de Portugal (MARIANI, 2004). A partir disso, compreendemos que o VOC, além de promover a unificação e a simplificação pela apresentação da norma ortográfica, abarca uma língua portuguesa que significa de modo especifico em cada pais, por isso podemos pensar numa mesma língua, mas diferente, e numa inscrição do colonizador pelo funcionamento da memória discursiva no resgate do uso da palavra língua no masculino presente somente no Brasil.

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