O CINEMA EM SALA DE AULA PODER E CUIDADO DE SI

Ana Katia Reis Ferreira, Dulce Mari da Silva Voss

Resumo


Esse trabalho resulta de um estudo desenvolvido no Curso de Especialização Educação e Diversidade Cultural da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA/Campus Bagé), onde trabalhamos o filme Como Estrelas na Terra: toda a criança é especial de Taare Zameen Par, produção indiana de 2007, dirigida por Aamir Kahn, que conta a história de Ishaan, um menino de aproximadamente oito ou nove anos de idade que enfrenta problemas na sua vida escolar devido à dislexia. O filme mostra imagens e cenas que inquietam e incomodam, o que faz com que nós educadores/as questionemos, assim como o fez Foucault: Como fabricamos nossos eus e os outros nos cotidianos escolares? Questões como essas são capazes de inquirir os efeitos de inclusão/exclusão produzidos na vida educacional, social e cultural. A metodologia empregada foi a leitura de imagens do filme Como Estrelas na Terra: toda a criança é especial a partir de uma análise de discurso amparada nos conceitos foucaultianos Poder, Governamentalidade, Subjetivação, Cuidado de Si e Confissão apresentados no livro Vocabulário de Foucault: um percurso pelos seus temas, conceitos e autores de Edgardo Castro (2016). A sobreposição do poder e da verdade repercute nas formas de subjetivação, isto é, o sujeito subjetiva por meio de sua prática. O que ele traz do seu saber se torna em objeto de sua ação. O êxito ocorreu pelo fato de que sua intervenção se deu sem oprimir, comandar ou dominar. Esse poder que Foucault mostrou em suas reflexões é que somente ocorrem práticas de liberdade onde relações de poder substituem realidades totalitárias de dominação. Contudo, práticas pedagógicas que permitam a criatividade e inventividade do próprio sujeito, aparecem no Filme quando o professor de Artes Ram estabelece com Ishaan uma relação de cumplicidade que inventa livremente os sujeitos. Essa relação se manifesta na arte de cuidado de si ou governo de si (FOUCAULT apud CASTRO, 2016). É possível perceber na relação de Ram com Ishann, o cuidado de si e dos outros no seu modo artista de ser educador. Portanto, problematizamos aqui as práticas discursivas e não-discursivas presentes na escola e no trabalho de educadores/as que, imbuídos do poder disciplinar, buscam enquadrar os sujeitos educandos/as e normalizá-los. Numa outra perspectiva, apontamos para uma relação pedagógica na qual educadores/as potencializem a capacidade criadora da criança, forjando condições para escapar dos campos minados por uma dinâmica de poder desfavorável ao pulsar da vida.

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