PERFIL DOS USUÁRIOS DE UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DO RIO GRANDE DO SUL

Helter Luiz da Rosa Oliveira, Susane Graup, Raquel Cristina Braun da Silva, Franciele Machado dos Santos, Tatiane Motta da Costa E Silva

Resumo


A partir de nova orientação de cuidado em saúde mental, surgida após a reforma psiquiátrica, definiu-se que o cuidado dos usuários deve ser realizado em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, inserindo assim, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) como locais de cuidado e assistência.
O objetivo destes dispositivos de saúde é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, oferecer um ambiente terapêutico e acolhedor de maneira que as pessoas em situação de crise, que se encontram vulneráveis sejam corretamente assistidas, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. As definições de quais métodos utilizados nesse tratamento são melhor definidas a partir do conhecimento da população que faz uso desse serviço.
Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo caracterizar o perfil dos usuários de um centro de atenção psicossocial da região da oeste do estado do Rio Grande do Sul.
Estudo transversal descritivo, realizado com dados obtidos por meio de prontuários dos usuários de um Centro de Atenção Psicossocial II da região oeste do Rio Grande do Sul, coletados no mês de Setembro de 2016. Foram analisando dados de prontuários de 61 usuários intensivos, com idades entre 18 e 81 anos. Os critérios de inclusão considerados foram: a) frequentar o serviço de saúde de maneira intensiva b) possuir plano terapêutico singular e c) participar das oficinas/grupos terapêuticos. Foram excluídos aqueles usuários que frequentam o serviço de saúde apenas para consultas individuais e para a aplicação ou retirada de medicação.
As variáveis coletadas no estudo foram sexo, idade, hipótese diagnóstica para o transtorno mental predominante, ano de admissão no serviço e origem de encaminhamento ao serviço.
A maioria dos usuários intensivos que recebem atendimento no CAPS II são do sexo feminino (59%). Considerando a faixa etária, 27,9% encontram-se entre 18-29 anos, 62,3% estão entre 30-59 anos e 9,8% tem 60 anos ou mais. Quando analisado o tempo de participação no CAPS II, 23% dos usuários fazem parte do serviço a mais de 11 anos, 32,8% entre 6 e 10 anos e 42,6 entre 1 e 5 anos. Essas informações tornam-se importantes para que se pense a forma de distribuição em atividades em grupo, bastante utilizadas nos CAPS.
Quando considerado o diagnostico, a maioria dos usuários apresenta retardo mental moderado (32,7%), sendo a segunda maior prevalência a esquizofrenia paranoide (18%).
O restante da população analisada apresentou variadas hipóteses diagnosticas que obtiveram pouca representatividade na amostra. Foi possível identificar também que a maioria (67%) foi encaminhada para o serviço via Atenção Básica.
Podemos concluir que a maioria dos usuários do CAPS II analisado são mulheres, na faixa etária dos 30 aos 59 anos, sendo o transtorno de retardo mental aparecendo com maior prevalência, sendo majoritariamente encaminhados pela atenção básica. Dados como esses são muito importantes, devendo ser considerados ao formular as atividades terapêuticas ofertadas.

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