ARRITMIAS EM CÃES COM ENDOCARDIOSE VALVAR

Karen Guzmán Beltrán, Joao Paulo Da Exaltacao Pascon, Marilia Avila Valandro, Raimy Costa Martins

Resumo


Dentre as cardiopatias valvares em cães, a endocardiose valvar (EV) é a doença adquirida crônica mais comum. Sua progressão é variável, resultando em insuficiência cardíaca congestiva (ICC) em alguns cães, porém, outros podem nunca manifestar sinais de ICC ao longo da vida. O eletrocardiograma é o exame de eleição para o diagnóstico de arritmias cardíacas. No entanto, as alterações de ritmo podem ocorrer de forma transitória tornando- se necessária uma monitorização mais ampla. Nesse contexto, o exame eletrocardiográfico contínuo (Sistema Holter), com duração de 24 horas, possibilita o diagnóstico de arritmias não demonstradas ao eletrocardiograma de curta duração. Desta forma, com este trabalho objetivamos determinar a prevalência da origem das arritmias em cães com EV, com e sem histórico de ICC. Para o estudo, foram avaliados 20 cães com EV, de raças pequenas, conforme aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da UNIPAMPA.Todos os cães foram submetidos a pelo menos uma avaliação eletrocardiográfica de 24 horas (sistema Holter). Os animais foram divididos em dois grupos, considerando a incidência de ICC em algum momento da vida. O grupo 1 (G1) foi composto por 15 cães (75%) sem histórico de ICC, enquanto que o grupo 2 (G2) foi representado por cinco cães (25%) com histórico de ICC. Para tanto, todos os cães foram submetidos à avaliação clínica, radiográfica, eletrocardiográfica e ecocardiográfica para fins de diagnóstico, previamente à avaliação Holter. Todos os registros foram realizados por meio do Holter digital de três canais, pelo período de 24 horas, em ambiente domiciliar. Dos 20 cães avaliados, quatro apresentaram apenas arritmias de origem supraventricular, um apenas ventricular e oito tiveram as duas origens de arritmias, totalizando 13 cães (65%) dos 20 cães avaliados. Nos dois grupos 40% dos cães apresentaram arritmias de origem supraventricular e ventricular associadas. Embora todos os cães do G2 e apenas 53% do G1 tenham apresentado algum tipo de arritmia, sete cães do G1 tiveram episódios de arritmia ventricular isolada ou em associação com supraventricular, consideradas mais graves pelo maior risco de morte súbita. Isso reforça a hipótese de maior prevalência de arritmias em cães com EV quando associados à ICC, porém, podem estar presentes em qualquer fase da doença, assim como observado nos cães do G1. A dilatação atrial decorrente da sobrecarga de volume oriunda da regurgitação ventricular sistólica, característica da degeneração mixomatosa valvar presente nesta enfermidade (EV), favorece a ocorrência de arritmias de origem supraventricular, a qual se correlaciona com a gravidade e progressão da doença, justificando a maior incidência dessas arritmias nos cães do G2. Ainda assim, esse resultado reforça a importância da realização da avaliação eletrocardiográfica de 24 horas (Holter) em cães com EV, uma vez que nenhum dos 20 cães apresentou arritmias ao eletrocardiograma ambulatorial.

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