A QUESTÃO DE GÊNERO NO ROMANCE EN FINIR AVEC EDDY BELLEGUEULE

Moacir Lopes de Camargos, Clive Thomson, Rosiane Gonçalves dos Santos Sandim

Resumo


Dentre os diversos temas da literatura contemporânea tem recebido destaque, por exemplo, a questão de gênero. Então, para estudar esta problemática atual tomamos o romance En finir avec Eddy Belleugueule (2014) do autor francês Édouard Louis. A narrativa se centra no personagem que dá nome ao livro (Eddy) e sua luta diária contra a violência a ele dirigida em todos os espaços por onde circula seja casa, escola, praça etc em um pequeno vilarejo do norte da França. O que justifica nossa escolha por este tema é o fato de este ser de extrema relevância, sobretudo para os profissionais que atuam na área da educação, tendo em vista a constante violência física e simbólica que muitas pessoas sofrem quando seus corpos são afetados pela questão de gênero (Butler, 2009). Desse modo, nosso principal objetivo, a partir da leitura e análise do romance, é compreender como se dá as relações de gênero, considerando conceitos como ideologia, sujeito, cronotopia dentre outros discutidos pelo pensador russo Bakhtin (2008). Por se tratar de uma investigação de base qualitativa, nossa referência para análise é o paradigma indiciário proposto por Ginzbourg (1989), tendo em vista que esta metodologia não busca realizar generalizações, tampouco trazer respostas exatas a partir dos dados obtidos. Ao contrário, a investigação se dá pelo trabalho com o cotejamento de todos os indícios encontrados no contexto social pesquisado para buscar um aprofundamento do tema estudado. Como resultados de nossa pesquisa, os dados analisados nos revelam que, apesar de viver em um cronotopo (espaço-tempo) dominado por uma ideologia hegemônica pautada pela heteronormatividade, a resistência de Eddy frente ao sistema que o violenta, o leva à condição de sujeito. Ao final da narrativa, o leitor percebe que ele segue um novo caminho para buscar sua autonomia em um novo espaço social. Enfim, quando Eddy se assume como diferente (gay), ele compreende as relações entre cultura, gênero e identidade e sua responsabilidade ética perante os outros.

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